A BTG Pactual Asset Management listou na B3 seu mais novo fundo de investimento em infraestrutura, o BTG Pactual Dívida Infra CDI (BCDI11). O movimento consolida a estratégia da gestora de oferecer um veículo de investimento atrelado ao CDI, capturando a demanda por produtos de renda com menor volatilidade e benefício fiscal.

Com um patrimônio próximo de R$ 190 milhões, impulsionado por uma captação de R$ 120 milhões em abril, o BCDI11 nasce como um complemento ao já estabelecido BDIF11. A tese aqui é clara: enquanto o irmão mais velho tem maior exposição à inflação, o novo fundo se posiciona como uma alternativa mais conservadora, para o investidor que prioriza previsibilidade de renda e menor oscilação das cotas.

A aposta no CDI com tempero de infra

Em um mercado com diversas opções de FI-Infras atrelados ao IPCA, a escolha do BCDI11 por um retorno "hedgeado" para o CDI é estratégica. O fundo busca acompanhar e superar a principal taxa de referência da renda fixa brasileira, oferecendo um porto seguro contra a volatilidade das taxas de juros. A promessa, baseada no histórico inicial, é entregar um prêmio sobre o benchmark, na casa de CDI + 1,9% ao ano.

O grande atrativo, no entanto, está na combinação dessa previsibilidade com o benefício fiscal das debêntures incentivadas, que compõem cerca de 90% da carteira. Para a pessoa física, os rendimentos distribuídos são isentos de Imposto de Renda. Trata-se de uma estrutura que mira o investidor que busca um passo além dos CDBs tradicionais, mas sem assumir os riscos de produtos de crédito mais agressivos ou da renda variável.

Estratégia de portfólio e o fator 'timing'

A gestão do BCDI11, liderada pela mesma equipe do BDIF11, pretende alocar até 10% do patrimônio em operações estruturadas com spreads mais elevados, buscando adicionar um retorno extra ao portfólio. É uma forma de gestão ativa para extrair alfa, mas com riscos controlados para não descaracterizar o perfil conservador do fundo.

O momento da listagem também parece calculado. Com os recursos recém-captados, o fundo está em seu período regulatório de enquadramento, o que lhe confere flexibilidade temporária para investir em ativos de prazo mais curto e com spreads potencialmente superiores. Essa janela pode ajudar o BCDI11 a construir um histórico de performance positivo logo no início de sua vida pública, atraindo novos cotistas.

O lançamento do BCDI11 não é uma disrupção, mas um refinamento de prateleira. A BTG Asset segmenta sua oferta para diferentes apetites de risco, reconhecendo que, no atual cenário, há uma demanda crescente por uma simplicidade sofisticada: a segurança do CDI, a eficiência fiscal da infraestrutura e uma gestão que busca retornos incrementais sem sobressaltos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times