O governo da Espanha iniciou uma consulta pública sobre a "Lei de Chips 2.0", a nova proposta da Comissão Europeia para fortalecer a indústria de semicondutores do bloco. A iniciativa, parte de um pacote mais amplo de soberania digital, busca colher a opinião da sociedade civil e de empresas sobre a próxima fase da estratégia continental.
A medida sinaliza um ajuste de rota crucial. A primeira versão da Lei de Chips, embora tenha mobilizado mais de € 52 bilhões em investimentos, focou primariamente em aumentar a oferta. A análise agora, segundo reportagem da Forbes España, é que a dependência de países terceiros persiste, exigindo uma nova abordagem.
Do incentivo à oferta ao estímulo da demanda
A versão original da lei foi uma resposta coordenada às vulnerabilidades expostas na cadeia global de suprimentos, mas não resolveu dois problemas crônicos: a dependência externa em design e fabricação e a alta concentração geográfica da produção interna. A capacidade da União Europeia de se preparar para crises continua limitada.
A "Lei de Chips 2.0" representa o reconhecimento de que apenas construir fábricas não é suficiente. A nova proposta desloca o eixo estratégico para o estímulo da demanda interna, buscando criar um ecossistema mais resiliente e autossustentável. A leitura é que, sem um mercado comprador robusto dentro do próprio bloco, os investimentos em produção correm o risco de não se pagarem.
A execução no nível nacional
O caso da Espanha ilustra como a política de Bruxelas se traduz em ação local. O país já participa de projetos-piloto de fotônica integrada e chips quânticos e, por meio de seu veículo de investimento tecnológico, a SETT, tem apoiado projetos estratégicos.
Entre eles estão um futuro centro de P&D com o renomado instituto belga IMEC, a expansão da Diamond Foundry para fabricação de componentes e aportes em empresas locais de microeletrônica como a Openchip. O movimento mostra uma tentativa de construir capacidades em diferentes elos da cadeia, do design à produção, reforçando a posição do país no ecossistema europeu.
O sucesso deste "segundo ato" na busca pela soberania de chips dependerá menos das diretrizes do que da capacidade de execução dos estados-membros. A mudança de foco da oferta para a demanda é analiticamente sólida, mas o desafio de transformar política em um tecido industrial vibrante e integrado apenas começou.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España

