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Edição 03 de jul. de 2026 Sony já adapta fábrica na Áustria para o fim dos discos físicos de PlayStation, aponta relato
A unidade de Thalgau, responsável por fabricar 600 mil mídias diárias, estaria sendo reestruturada em meio ao declínio global do formato físico nos videogames.
A transição do mercado de videogames para a distribuição puramente digital parece estar forçando mudanças na base industrial da Sony. Segundo um relato da emissora austríaca ORF Salzburg, repercutido pelo The Verge, a companhia já iniciou o processo de readequação de sua principal fábrica de mídias físicas, localizada em Thalgau, na Áustria.
Dietmar Tanzer, presidente da Sony DADC — divisão responsável pela manufatura de discos da gigante japonesa —, afirmou à emissora que a unidade produz atualmente cerca de 600 mil discos por dia, sendo metade desse volume destinado aos consoles PlayStation. O movimento de reestruturação indica que a empresa não apenas reconhece o declínio do formato físico, mas já executa um plano de saída para sua infraestrutura de fabricação.
A readequação da cadeia de suprimentos
O declínio das mídias físicas tem sido uma constante na indústria de entretenimento ao longo da última década, mas o mercado de games de alto orçamento manteve o formato vivo por mais tempo devido ao tamanho dos arquivos e ao mercado de revenda. No entanto, o relato sobre a fábrica de Thalgau sugere que o ponto de inflexão industrial foi atingido. A Sony DADC, que historicamente operou como a espinha dorsal da distribuição física da empresa, estaria redirecionando sua capacidade produtiva para componentes de maior demanda futura, com indicações de que a manufatura de microlentes pode substituir as linhas de prensagem de discos.
Essa transição reflete uma mudança na economia unitária dos consoles. Com a crescente adoção de edições exclusivamente digitais do PlayStation e o aumento das margens de lucro nas vendas diretas via PlayStation Store, a manutenção de uma operação em larga escala para discos torna-se financeiramente ineficiente. A adaptação da planta austríaca ilustra como as fabricantes de hardware estão desmontando gradualmente o legado físico de suas operações, antecipando um ciclo de vida onde o disco óptico deixa de ser o padrão de consumo.
Embora a Sony não tenha oficializado um cronograma global para o fim da produção de jogos em disco, a movimentação na Áustria sinaliza que a infraestrutura de suporte ao formato já está sendo desmobilizada. O ritmo dessa transição ditará como o varejo tradicional e o mercado de jogos usados se adaptarão nos próximos anos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Verge
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Sobre a Evaporação da Matéria e as Microlentes de Thalgau
Chega-me às mãos, trazido por um mercador de fábulas ou um delírio febril, um relato assombroso sobre uma oficina na Áustria, em uma vila chamada Thalgau. Dizem que uma guilda de nome Sony cessa a forja de discos físicos para um teatro de ilusões chamado PlayStation. Afirmam que fabricavam seiscentos mil desses discos por dia! Que força motriz alimenta as engrenagens e polias dessa fábrica? Nem o curso inteiro do rio Arno, represado por minhas melhores eclusas e rodas de água, poderia mover prensas com tamanha voracidade diária. Seiscentos mil. Nota: calcular a tensão mecânica, o atrito dos eixos e o desgaste das roldanas para tal feito geométrico. O rumor fala de uma transição para a distribuição digital, tornando o objeto obsoleto. A matéria, portanto, dissolve-se em números, em pura proporção matemática voando pelo éter. É exatamente como o meu estudo da hidráulica: o gelo sólido que se derrete em líquido e depois evapora, tornando-se invisível, mas ainda capaz de mover tempestades e preencher o vazio. Acaso esses artífices do amanhã descobriram como projetar afrescos diretamente no ar, sem a necessidade da argamassa, da madeira e do pigmento? A arte e a técnica convergem perfeitamente nesta alquimia: a máquina de diversão abandona seu corpo tangível, assim como a alma se desprende do cadáver que disseco à noite no hospital de Santa Maria Nuova. Tudo flui, o peso cede lugar ao imaterial. Intriga-me, sobremaneira, o novo ofício dessa unidade industrial: microlentes. Lentes diminutas. Tenho estudado exaustivamente a anatomia do olho humano, o cristalino e a refração da luz que inverte a imagem na câmara escura do nosso cérebro. Se eles redirecionam a força de suas máquinas para fabricar olhos artificiais em miniatura, poderão acaso ver os segredos dos humores do sangue? Ou enxergar as correntes invisíveis e os vórtices que sustentam o voo dos pássaros? Perguntas para investigar ao amanhecer: Primeiro, como a luz atravessa uma microlente sem queimar o suporte pela convergência dos raios? Segundo, pode o ar carregar esses jogos digitais como a água carrega a areia em suspensão? Terceiro, projetar um moinho capaz de polir vidro em escala tão microscópica. A natureza não dá saltos, mas essa guilda Sony parece ter encontrado a alavanca de Arquimedes, transformando peso em pura luz.
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