A Sotheby's intensifica sua presença em Abu Dhabi com a realização de seu primeiro leilão de arte fina na cidade em 10 de dezembro. O evento coincide com uma série de acontecimentos culturais e de entretenimento na capital dos Emirados Árabes Unidos, incluindo a abertura do Guggenheim Abu Dhabi e a Fórmula 1, buscando capitalizar o crescente interesse e investimento no mercado de arte do Oriente Médio.
O leilão, intitulado “Breaking Ground”, em alusão à construção da cidade, ocorrerá no novo Saadiyat Grove Experience Center, na ilha de Saadiyat, um polo cultural em expansão. A venda faz parte da segunda edição da Collectors’ Week da Sotheby's, que incluirá também categorias como carros, joias e relógios no dia 9 de dezembro. A expectativa é que mais lotes sejam adicionados antes do evento, mas a casa já confirmou 21 obras, com estimativas de valor entre US$ 6,54 milhões e US$ 9,08 milhões. Destaques incluem obras de Andy Warhol, como “Ads” (1985), com estimativa de US$ 2 a US$ 3 milhões, e Claude Monet, com “Prunes et Abricots” (1882–85), avaliado entre US$ 2 milhões e US$ 2,6 milhões. A seleção também destaca artistas contemporâneos locais, como Mohamed Ahmed Ibrahim e Hassan Sharif, além de obras de artistas mulheres renomadas.
Expansão Estratégica no Oriente Médio
A decisão da Sotheby's de sediar um leilão de arte fina em Abu Dhabi sublinha a importância estratégica da região para o mercado global de arte. Katia Nounou Boueiz, chefe da Sotheby's Emirados Árabes Unidos e presidente para o Oriente Médio, observou um aumento significativo na participação de clientes da região em leilões internacionais nos últimos cinco anos, com quase 70% de aumento em lances e um crescimento de quase 100% no valor total gasto por esses colecionadores. A casa de leilões já possui um histórico na região, tendo realizado seu primeiro leilão internacional em Dubai em 2017. O investimento de US$ 1 bilhão anunciado em 2024 com o fundo soberano ADQ de Abu Dhabi, que resultou na aquisição de uma participação minoritária na Sotheby's, demonstra o compromisso de longo prazo da empresa com o mercado local e seus planos de expansão.
Um Mercado em Evolução e Diversificação
O Oriente Médio tem se consolidado como um centro dinâmico para o comércio de arte, impulsionado por iniciativas como Frieze Abu Dhabi, a iminente abertura do Guggenheim Abu Dhabi e a expectativa de retorno do Art Basel Qatar em 2027. Mohammed Hafiz, cofundador da ATHR Gallery, em Jeddah, aponta que a presença local da Sotheby's é uma decisão estratégica e econômica, reflexo de décadas de investimento e construção de mercado por parte de patronos, galerias, colecionadores e artistas. A chegada de feiras internacionais como Art Basel e Frieze é vista como uma evolução natural desse ecossistema. A diversificação do público colecionador, com a entrada de jovens e novos colecionadores interessados em arte moderna e contemporânea, além de artistas regionais, tem sido um fator chave para esse crescimento.
O Perfil do Novo Colecionador
O perfil do colecionador de arte no Oriente Médio está em transformação. Philip Hoffman, presidente e fundador do Fine Art Group, nota que muitos colecionadores da região, especialmente os mais jovens, entre 30 e 40 anos, demonstram um interesse crescente, mas preferem um processo de aquisição mais ponderado, sem a pressão de decisões rápidas que os leilões podem impor. Yasmeen Gailani, especialista da Sotheby's e chefe de vendas do leilão “Breaking Ground”, explica que a seleção de obras buscou equilibrar nomes globais com artistas regionais de renome, oferecendo tanto obras que geram conversas imediatas quanto oportunidades para que os clientes locais descubram novos artistas. Essa abordagem visa nutrir um engajamento mais profundo com a arte, indo além da apreciação e incentivando a descoberta e a construção de coleções.
Olhando para o Futuro
A consolidação da Sotheby's em Abu Dhabi, com um leilão dedicado à arte fina, sinaliza a maturidade do mercado na região e o potencial para futuras expansões. A casa de leilões busca não apenas atender à demanda existente, mas também moldar e expandir o público colecionador, fomentando um ecossistema de arte vibrante e sustentável. A presença de eventos globais e a crescente diversidade de colecionadores sugerem um futuro promissor para o mercado de arte no Oriente Médio, com Abu Dhabi posicionando-se como um destino relevante no calendário internacional.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews



