A Disneyland Paris anunciou um ambicioso plano de investimentos para os próximos anos, em um movimento que busca revitalizar a experiência de seus visitantes. O destaque é uma estratégia dupla: o resgate de um clássico e a construção de um novo universo. A icônica montanha-russa Space Mountain, atualmente com tema de Star Wars, será fechada em 2027 para retornar ao seu conceito original de 1995, inspirado na obra de Júlio Verne.
Ao mesmo tempo, o parque avança na construção da primeira área temática do mundo dedicada inteiramente a “O Rei Leão”. A leitura aqui é que a Disney calibra sua estratégia de parques temáticos em duas frentes. De um lado, aposta na força da nostalgia e na identidade única de suas atrações originais. Do outro, segue a cartilha de sucesso de criar “mundos” imersivos, que transportam o visitante para dentro de suas propriedades intelectuais mais valiosas, uma fórmula já testada em outras localidades.
Entre Verne e a Savana
A decisão de reverter a Space Mountain ao seu tema original, “De la Terre à la Lune”, é sintomática. Em vez de depender de uma franquia global como Star Wars, o parque aposta em sua própria história e na estética steampunk que marcou sua inauguração. O movimento sugere o reconhecimento de que a identidade local e a memória afetiva dos primeiros visitantes são ativos valiosos, capazes de gerar um apelo tão forte quanto uma saga cinematográfica. A atração será modernizada com nova iluminação e som, mas sua essência será um retorno às origens.
Em contraste direto, a nova área de “O Rei Leão” representa o ápice da estratégia moderna da Disney. Com mais de 30 mil metros quadrados, o projeto não se resume a uma única atração, mas a um ambiente completo, com lojas, restaurantes e encontros com personagens. O objetivo é a imersão total, transformando a visita em uma narrativa contínua. É a mesma lógica por trás de áreas como Pandora, de Avatar, e Galaxy's Edge, de Star Wars, nos parques americanos: mais do que visitar uma atração, o público vive dentro do filme.
A corrida pela imersão
O pilar tecnológico é fundamental para essa imersão. A atração aquática de “O Rei Leão” promete um animatrônico de última geração do vilão Scar e um percurso com quedas, incluindo uma de 16 metros da Pedra do Rei. Esses elementos mostram como a engenharia é colocada a serviço da narrativa, buscando materializar momentos icônicos do cinema com um nível de realismo e emoção cada vez maior. Não se trata apenas de um passeio, mas de uma cena de filme vivida em primeira pessoa.
O plano de expansão, que segundo a reportagem da Forbes España também inclui uma nova parada diurna em 2028 e uma atração inspirada em “Up”, reforça a visão da Disney para o futuro do entretenimento presencial. A competição não é mais apenas entre parques, mas com o streaming, os games e todas as outras formas de lazer que disputam o tempo e a atenção do consumidor.
Para a Disney, a resposta parece ser a criação de experiências físicas irrealizáveis no mundo digital. O movimento em Paris é uma aula sobre como equilibrar o legado, que cria a base de fãs, com a inovação constante, que justifica o preço do ingresso e a viagem. É uma aposta de que, mesmo em um mundo de telas, a magia de um lugar físico e bem construído ainda é um negócio poderoso.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





