A Starcloud, startup que opera data centers em órbita, acaba de levantar uma extensão de US$ 250 milhões para sua rodada Série A, elevando o total captado para US$ 450 milhões e atingindo um valuation de US$ 2,3 bilhões. A nova tranche foi liderada pela Manhattan West e, crucialmente, contou com a participação da Nvidia e da Cisco, sinalizando o interesse dos gigantes de infraestrutura terrestre no mercado orbital.

O movimento ocorre em um momento de crescente resistência popular à construção de data centers em terra, mas a tese do investimento vai além de uma simples arbitragem imobiliária. O aporte é um endosso à liderança técnica da Starcloud e uma manobra defensiva contra a iminente escassez de capacidade de lançamento de foguetes, um gargalo que ameaça toda a indústria de "New Space".

O selo da Nvidia

O maior ativo estratégico da Starcloud é, hoje, intangível: dados. A empresa é a única a operar uma GPU H100 da Nvidia em órbita, onde já rodou o modelo de linguagem Gemma, do Google, e treinou o NanoGPT, da OpenAI. Segundo reportagem do site Payload, essa experiência em ambiente espacial real é o que atraiu a Nvidia, que não apenas investiu, mas utiliza os aprendizados para desenvolver seu primeiro chip gráfico projetado para o espaço, o "Space-1 Vera Rubin Module".

Nas palavras do CEO Phillip Johnston ao TechCrunch, a Nvidia realizou uma diligência técnica muito mais profunda que qualquer outro investidor, validando a abordagem da Starcloud para os desafios de engenharia espacial, como proteção contra radiação e dissipação de calor. O investimento, portanto, é menos uma aposta de venture capital tradicional e mais uma parceria estratégica para construir a próxima fronteira da computação.

A corrida pelo foguete

O segundo vetor para a captação é puramente logístico. Com a SpaceX planejando aposentar o confiável foguete Falcon 9 e pausando novas reservas para missões compartilhadas, o acesso ao espaço está se tornando um recurso escasso e caro. Empresas do setor espacial estão levantando capital não apenas para pesquisa e desenvolvimento, mas para garantir seu lugar na fila de lançamentos.

A Starcloud, que já solicitou à FCC permissão para operar uma mega constelação de 88 mil satélites, precisará de centenas, senão milhares, de lançamentos. O capital recém-adquirido funciona como um seguro para que seus ambiciosos planos de infraestrutura orbital não fiquem presos no chão.

O valuation de US$ 2,3 bilhões, portanto, não precifica apenas a promessa de levar a nuvem para as estrelas, mas também o custo de garantir o transporte até lá. A questão para a Starcloud e seus concorrentes não é apenas se a computação orbital é viável, mas quem terá os foguetes para construí-la.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Payload Space