O designer de iluminação mexicano Federico Stefanovich, conhecido por suas peças metálicas expressivas, uniu forças com o escritório local Nama Studio para renovar seu estúdio. O espaço escolhido foi o Edifício Humboldt, um marco arquitetônico de 1922 na Cidade do México, originalmente projetado pelo arquiteto canadense Thomas Sinclair Gore. O edifício, que hoje abriga diversos estúdios de arte e design, foi o palco para uma intervenção que buscou preservar a essência histórica enquanto abria espaço para a exibição contemporânea das criações de Stefanovich.
O projeto de renovação, concebido por Stefanovich e Nama Studio, focou na preservação dos detalhes históricos do Edifício Humboldt, como as grandes janelas originais e suas varandas, que já haviam sido restauradas. Ao mesmo tempo, a intervenção introduziu cores ricas e texturas que realçam o trabalho do designer, transformando o local em um ambiente multifuncional: estúdio, showroom e oficina de produção. A proposta foi criar um diálogo entre a arquitetura do passado e o design de iluminação do presente, resultando em um espaço que reflete a linguagem estética de Stefanovich, descrita como ornamentada, mas equilibrada.
Arquitetura e Luz: Um Diálogo Histórico
A força do Edifício Humboldt reside em sua estrutura original, especialmente nas janelas amplas e nas varandas que oferecem vistas para o bairro. Stefanovich expressou seu encanto por esses elementos, que foram cuidadosamente restaurados antes de sua intervenção. Para a concepção do estúdio, a prioridade foi manter a integridade arquitetônica, permitindo que a luz natural, abundante nas janelas, interagisse com suas peças de iluminação. No entanto, a iluminação, por sua natureza, pode ser desafiadora de exibir em ambientes naturalmente claros. Para contornar essa questão, a equipe desenvolveu um sistema de painéis customizados que funcionam como cenários para as luminárias.
Esses painéis modulares, compostos por hastes metálicas e blocos de madeira, foram pintados em um tom de azul mineral, com uma qualidade levemente desgastada que confere profundidade à superfície. A escolha da cor e sua aplicação em camadas, semelhante a uma lavagem de cal, evitam uma uniformidade plana, criando um fundo dinâmico. O sistema de painéis é interrompido pelas janelas históricas, estabelecendo um ritmo visual entre os novos elementos arquitetônicos e a estrutura original do edifício.
Cores e Texturas: A Paleta do Estúdio
No espaço principal do showroom, o azul mineral dos painéis é harmonizado com elementos em tons de chocolate e madeira tingida de marrom, presentes nos móveis, pedestais e boiseries. O piso antigo do edifício também contribui para a atmosfera de época. Para a área de lounge, revestida inteiramente pelo sistema de painéis azuis, foi criado um sofá semicircular sob medida. Ao longo do salão de exposição, um segundo sistema de panelling foi implementado.
Desta vez, a equipe optou por um material de fibra de vidro translúcido, com um tom amarelado, que remete ao papel de arroz japonês. Esses painéis de fibra de vidro integram um sistema de portas deslizantes que revelam a área de oficina. Este espaço de trabalho apresenta elementos mais utilitários, como móveis de compensado, painéis de MDF e estantes de aço, contrastando com a sofisticação do showroom. A intenção geral foi criar um ambiente que espelhasse o estilo de design de Stefanovich: sutilmente influenciado pela metade do século XX, com um toque artesanal e gestos expressivos, mas sem excessos.
Implicações e Reflexões
O projeto de Stefanovich no Edifício Humboldt é um exemplo notável de como o design de interiores contemporâneo pode dialogar com a arquitetura histórica. Ao mesclar suas peças de iluminação com a estrutura original, o designer não apenas criou um espaço de trabalho funcional, mas também uma declaração sobre sua própria estética. A colaboração com Nama Studio demonstra a importância da parceria entre designers e arquitetos para alcançar resultados coesos e impactantes.
A escolha de um edifício histórico como base para um estúdio de design de iluminação também levanta questões sobre a preservação do patrimônio arquitetônico em centros urbanos e como esses espaços podem ser revitalizados para abrigar atividades criativas. O sucesso da intervenção sugere que abordagens respeitosas, que valorizam a história do local enquanto introduzem elementos modernos, podem ser um caminho promissor para a renovação urbana e cultural.
Perguntas em Aberto
A renovação do estúdio de Federico Stefanovich no Edifício Humboldt levanta questões sobre a sustentabilidade de longo prazo desse modelo de uso para edifícios históricos. Como outros designers e artistas podem replicar esse sucesso em contextos semelhantes? Além disso, qual será o impacto a longo prazo da crescente demanda por espaços que combinam trabalho, exibição e produção para a dinâmica do mercado imobiliário em bairros históricos de cidades como a Cidade do México?
Será interessante observar como o próprio Stefanovich continuará a evoluir seu trabalho em resposta a este novo ambiente. A forma como ele integra suas futuras coleções e peças com a arquitetura do estúdio pode oferecer novas perspectivas sobre a relação entre design de iluminação e espaço. O sucesso do projeto abre portas para futuras colaborações e demonstra o potencial de revitalização de edifícios históricos através da arte e do design contemporâneo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





