O hotel Jen Hangzhou, localizado às margens do Rio Dongxin, na China, apresenta um design de interiores que mescla a robustez da estética industrial com a delicadeza do artesanato local. O estúdio internacional Linehouse foi o responsável por conceber os espaços, que buscam dialogar com o contexto urbano e a história fabril da região.

O edifício, com 18 andares e projetado pela renomada firma americana Kohn Pedersen Fox, já carrega em sua arquitetura referências ao passado industrial de Hangzhou, utilizando aço, tijolos cinzas e vidro. A Linehouse estendeu essa abordagem para o interior, focando na valorização do artesanato chinês e nos elementos industriais que remetem às antigas fábricas.

"Jen Hangzhou é um hotel urbano que celebra o contexto de seu bairro – um que sobrepõe história, artesanato, cultura e rica materialidade em uma nova perspectiva de Hangzhou", explicou a Linehouse. No lobby, a atmosfera é de calma e aconchego, criada por meio do uso de mármore em tons terrosos, painéis de carvalho e mobiliário confortável. Uma obra de arte texturizada, criada pela artista Elsa Jeandedieu, recebe os visitantes na entrada, com uma representação abstrata das pontes e canais próximos ao hotel. Os padrões em mosaico do piso de mármore e de um tapete feito sob medida no lobby foram inspirados no traçado das ruas e nos desenhos de azulejos do bairro.

Contexto e Materiais

Os espaços de convivência, como o restaurante, o bar e as salas de eventos, estão concentrados no sexto andar. O restaurante OpenHouse, de formato linear e alongado, é banhado pela luz natural através de suas amplas janelas de vidro. Um elemento de design em madeira percorre o teto, remetendo à técnica tradicional de junção de madeira conhecida como sunmao, e é realçado por uma fina estrutura metálica preta que sustenta a iluminação.

No centro do restaurante, um café divide o espaço em duas áreas distintas: uma para refeições e outra como lounge de uso contínuo. Nas salas de jantar privadas, o dossel de madeira exibe um design angular e é decorado com tons de vermelho e amarelo queimados. Em outras partes do OpenHouse, os ambientes são complementados por azulejos em tons de azul-petróleo e luminárias de cerâmica artesanais.

Dinâmicas Espaciais e Referências

O Koan Bar, adjacente ao restaurante, é um espaço de pé-direito triplo, marcado por uma escada sinuosa de metal preto que conduz a um terraço no andar superior. Plataformas integradas na escada oferecem locais para socialização. A escada, esculpida entre paredes revestidas com painéis de concreto, reforça a conexão com a herança industrial do local. Abaixo dela, cabines curvas em madeira de nogueira e couro caramelo criam espaços íntimos para os hóspedes. Três salas interconectadas no sexto andar, delimitadas por paredes de madeira onduladas, são destinadas a eventos e encontros sociais.

O sétimo andar é dedicado ao bem-estar, abrigando academia, sala de yoga, spa, piscina e vestiários. Estes ambientes foram concebidos com materiais táteis e tons suaves para promover um ambiente de tranquilidade. Na academia, uma parede de pedra vulcânica apresenta gravuras que ilustram o movimento, enquanto a sala de yoga se destaca pelos painéis de madeira esculpidos à mão. A piscina, em um anexo envidraçado e inclinado, complementa a área de relaxamento.

Implicações e Público

Os 176 quartos do hotel foram pensados como "refúgios urbanos". Nesses espaços, a Linehouse empregou uma paleta restrita de metal grafite, carvalho, reboco texturizado e couro caramelo para acentuar a estética industrial. "As áreas públicas exploram técnicas artesanais tradicionais como a junção de madeira sunmao, azulejos de barro e tijolos, padrões naturais, texturas e rebocos, enquanto os quartos exploram uma estética industrial refinada", explicou a Linehouse.

Os quartos apresentam tetos curvos que proporcionam iluminação indireta e suavidade, e os banheiros são iluminados por paredes de vidro blocos. A combinação de materiais como tijolo vermelho, concreto e metal, com formas ousadas, faz referência ao entorno industrial, enquanto azulejos artesanais, madeira vintage e cores com diferentes pátinas introduzem calor e textura, criando uma experiência de hospedagem única que equilibra o rústico e o refinado.

Perguntas Abertas

A abordagem da Linehouse no Jen Hangzhou exemplifica uma tendência crescente no design de hotéis: a busca por autenticidade através da fusão de elementos históricos e culturais com uma estética contemporânea. A forma como o estúdio conseguiu traduzir a identidade de Hangzhou, com sua rica herança industrial e seu vibrante cenário artesanal, em um ambiente hoteleiro funcional e esteticamente coeso, levanta questões sobre como essa fórmula pode ser replicada em outros contextos urbanos com passados semelhantes.

O sucesso dessa integração sugere que a autenticidade e a conexão com o local são fatores cada vez mais valorizados pelos viajantes. Resta observar como essa sensibilidade de design, que honra tanto a história quanto a inovação, continuará a moldar o futuro da arquitetura e do design de interiores em empreendimentos hoteleiros ao redor do mundo, especialmente em cidades que buscam revitalizar suas áreas industriais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen