O estúdio islandês T.ark Architects concluiu a Laugarás Lagoon, um centro de bem-estar geotérmico localizado a 90 minutos de Reykjavik. Com 3.000 metros quadrados distribuídos em dois pavimentos, o projeto se destaca pela integração com a paisagem sul da Islândia, afastando-se das referências habituais a geleiras e areias vulcânicas para focar em campos e bosques.

A estética do refúgio orgânico

A estrutura central é definida por um telhado de madeira laminada colada, coberto por grama, que o escritório denomina como uma "tenda de grama". O design é pontuado por aberturas parabólicas que emolduram a vista, remetendo diretamente às habitações em cavernas esculpidas manualmente que caracterizam a história do assentamento humano na região. Segundo o sócio Halldór Eiríksson, o conceito arquitetônico foi gerado a partir da ideia de um monte agrícola perfurado, estabelecendo uma linguagem onde a paisagem dita a forma espacial.

Estrutura e experiência sensorial

Internamente, o projeto prioriza a fluidez e a conexão com a natureza. A área de recepção e restaurante, desenvolvida em colaboração com o designer Anthony Bacigalupo, utiliza materiais como travertino rosado e gesso de argila com cascalho vermelho local. As paredes divisórias foram planejadas para não tocar o teto, criando a percepção de uma praça coberta. O uso de madeira e grama provenientes de bosques próximos reforça o compromisso com a sustentabilidade local, enquanto o paisagismo busca contrastar a sensação de proteção sob a cobertura com a exposição aos elementos externos.

Integração e bem-estar

O complexo organiza-se em dois níveis de piscinas geotérmicas interligadas por uma pequena cascata, cada uma oferecendo uma experiência distinta. A piscina superior foi desenhada para emoldurar a paisagem do rio e montanhas adjacentes, enquanto a inferior propõe um ambiente mais recluso, cercado por muros de pedra bruta e vegetação. Elementos adicionais, como saunas secas, bares integrados às piscinas e o uso de fragrâncias destiladas da vegetação local pelo laboratório Nordic Angan, completam a proposta multissensorial do spa.

Perspectivas de arquitetura sustentável

O projeto da Laugarás Lagoon reflete uma tendência crescente na arquitetura de bem-estar islandesa, que busca equilibrar o turismo de alto padrão com a preservação da identidade territorial. A escolha de materiais de baixo impacto e a mimetização da construção com a topografia indicam um caminho onde o design atua como um mediador entre a necessidade de infraestrutura moderna e a integridade da paisagem natural. O sucesso desse modelo dependerá de como a operação manterá a harmonia entre o fluxo de visitantes e a fragilidade do ecossistema local ao longo do tempo.

A conclusão deste spa reforça o posicionamento da Islândia como referência em projetos que utilizam recursos geotérmicos não apenas como fonte de energia, mas como componente essencial da experiência arquitetônica. O desafio contínuo para o escritório será observar como a estrutura de madeira e a cobertura vegetal reagirão ao rigoroso clima islandês, mantendo a integridade estética e funcional proposta inicialmente pela equipe de projeto.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen