O governo da região das Astúrias, na Espanha, planeja implementar uma veda quase total à pesca do salmão a partir de 2027. A proposta, anunciada pelo conselheiro de Meio Rural e Política Agrária, Marcelino Marcos, visa dar à espécie uma chance de recuperação diante de um declínio preocupante.

A medida representa um movimento drástico em uma região onde a pesca do salmão é uma tradição profundamente enraizada. Segundo reportagem da Forbes España, a decisão se apoia no "princípio da precaução" e em dados científicos que indicam a necessidade de uma intervenção firme para reduzir a mortalidade da espécie. O dilema está posto: o rigor da ciência contra o peso da cultura e da economia local.

Ciência contra a corrente

A nova regra, se aprovada, será rigorosa. A temporada de pesca em cada bacia hidrográfica se encerrará assim que o primeiro salmão, conhecido localmente como ‘Campanu’, for capturado. A partir desse momento, a pesca recreativa e comercial cessa, permitindo-se apenas coletas controladas para fins de reprodução e repovoamento em cativeiro.

A justificativa do governo é direta: "a recuperação da espécie necesita de estabilidade, tempo e redução da mortalidade". A proposta não surge do vácuo, mas de uma análise da evolução histórica da população de salmões, que aponta para uma trajetória insustentável. É a aplicação de um manual de gestão de recursos naturais: quando os indicadores são críticos, a intervenção deve ser à altura do risco.

O caso asturiano, embora local, espelha um desafio global. A medida será um termômetro para a capacidade de políticas públicas baseadas em evidências prevalecerem sobre interesses e tradições de curto prazo. O futuro do salmão nos rios da região dependerá do sucesso dessa aposta na ciência e da paciência de sua comunidade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España