Os dois maiores grupos de aviação da Europa, Lufthansa e Air France-KLM, formalizaram seu interesse na TAP Air Portugal. Ambas as companhias apresentaram ofertas vinculantes para adquirir uma participação minoritária na empresa, encerrando a primeira fase de um processo que pode redefinir o mapa aéreo do continente. A decisão final caberá ao governo português, que avalia vender até 49,9% de sua fatia na companhia, reservando 5% para os funcionários.

O movimento não é uma surpresa, mas a confirmação das propostas eleva a temperatura da disputa. A TAP, apesar de seus desafios financeiros históricos, detém um ativo estratégico de imenso valor: o hub de Lisboa, a principal porta de entrada da Europa para o Atlântico Sul, com destaque para o mercado brasileiro. Para os gigantes europeus, controlar ou ter influência sobre essa operação é uma peça-chave no xadrez da aviação global.

Duas visões, um mesmo prêmio

As propostas refletem as diferentes estratégias dos conglomerados. O Grupo Lufthansa, que recentemente adicionou a italiana ITA Airways ao seu portfólio (que já inclui Swiss, Austrian e Brussels Airlines), fala em um “próximo passo lógico”. A visão alemã é integrar a TAP à sua estrutura, fortalecendo Lisboa como um centro estratégico e alavancando os mais de 70 anos de presença da Lufthansa em Portugal. A empresa já emprega mais de 500 pessoas no país e planeja expandir sua unidade de manutenção e reparos, a Lufthansa Technik, na região do Porto.

Do outro lado, a Air France-KLM, que já detém uma participação na escandinava SAS, apresenta uma oferta alinhada com sua parceira transatlântica, a Delta Air Lines. O grupo franco-holandês aposta em fortalecer a área de manutenção e engenharia da própria TAP, com quem já tem uma parceria de duas décadas. A promessa é de desenvolvimento tecnológico e criação de empregos qualificados, apoiando a estratégia de crescimento da companhia portuguesa.

O pano de fundo para a disputa é a inevitável consolidação do setor aéreo europeu. Após a crise da pandemia, companhias independentes se tornaram alvos para os grupos mais capitalizados. A decisão de Lisboa, esperada para o início de setembro, não apenas selará o destino da TAP, mas também indicará qual aliança sairá mais forte na competição pelas lucrativas rotas que conectam a Europa às Américas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España