A cada ano, a semana das feiras Frieze em Londres se transforma em um palco privilegiado para o mercado de arte, e a Tate, uma das mais prestigiadas instituições culturais do Reino Unido, aproveita essa vitrine para enriquecer seu acervo. Desta vez, a instituição selecionou duas peças para integrar sua coleção: uma obra abstrata da artista Michaela Yearwood-Dan, adquirida na Frieze London, e um trabalho escultural de Luis Fernando Zapata, proveniente da feira irmã Frieze Masters. As aquisições sinalizam tendências importantes no dinâmico mercado de arte.
A pintura de Yearwood-Dan, intitulada "Peace Unknown" (2026), ostenta uma explosão de cores vibrantes — amarelo, azul e verde — adornada com elementos como glitter, miçangas e um laço. A mensagem explícita na tela, "IF THEY NOT PLAYING BY THE RULES, WHY THE F K ARE WE?", ecoa um sentimento de questionamento e irreverência, capturando a atenção em meio à efervescência da feira. A artista, representada pela renomada Hauser & Wirth, tem visto uma ascensão meteórica em sua carreira, com um recorde de leilão de US$ 880.000. Sua exposição individual em Nova York e a mostra atual na Whitworth Art Gallery em Manchester atestam seu crescente reconhecimento.
Em contraste, Luis Fernando Zapata, artista colombiano falecido em 1994, representa uma faceta mais histórica e, até recentemente, menos visível. Sua obra "Barge" (1992), adquirida pela Tate na Frieze Masters — a feira focada em arte histórica —, evoca a estética de artefatos antigos, confeccionada em papel machê. Apesar de sua carreira truncada, Zapata tem gradualmente conquistado espaço em museus de renome, como o Centre Pompidou e o Museo Reina Sofía, indicando um reavivamento de seu legado.
Karin Hindsbo, diretora interina da Tate, ressaltou que ambas as obras demonstram "abordagens variadas e complexas à materialidade, evidentes nas superfícies ricamente estratificadas em grande escala e no uso experimental de materiais naturais e encontrados". A inclusão desses trabalhos no acervo da Tate não apenas celebra a diversidade de práticas artísticas, mas também sublinha o papel crucial de feiras como a Frieze na curadoria e democratização do acesso à arte contemporânea e histórica. O mercado de arte, cada vez mais globalizado e interconectado, encontra nessas aquisições um reflexo de sua própria evolução, onde o reconhecimento de artistas emergentes caminha lado a lado com a redescoberta de talentos do passado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





