A taxa de desemprego no México atingiu 2,8% em maio, um incremento de três décimas em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi). O número de pessoas desocupadas no país subiu para 1.715.746, um aumento de 22.340 indivíduos. Simultaneamente, a taxa de participação econômica manteve-se estável em 59,1%, refletindo uma estabilidade relativa na entrada de novos trabalhadores no mercado.

O cenário revela uma dinâmica complexa na economia mexicana. Embora a população economicamente ativa tenha crescido em 460.142 pessoas, totalizando 62,1 milhões, o número de ocupados também avançou em 437.802. A leitura aqui é que, apesar da geração de postos de trabalho, a absorção da força laboral não foi suficiente para impedir uma leve deterioração nos índices de desemprego, mantendo a pressão sobre a economia real.

A persistência da informalidade

Um dos pontos críticos dos dados de maio é a manutenção da taxa de informalidade em 55,2%. Este indicador, que tem sido um entrave estrutural para o México, sugere que grande parte do crescimento na ocupação ocorre fora dos mecanismos de proteção social e tributação formal. A informalidade elevada limita a produtividade agregada e reduz a eficácia das políticas públicas de proteção ao trabalhador.

A distribuição setorial dos ocupados mostra que o setor de serviços continua sendo o principal motor, empregando 26,8 milhões de pessoas, seguido pelo comércio com 12 milhões. A resiliência desses setores é fundamental para a manutenção da atividade econômica, mas a dependência de atividades com menor valor agregado e alta informalidade continua a ser uma preocupação para economistas que observam a competitividade do México a longo prazo.

Dinâmicas setoriais e perdas de postos

Ao comparar os dados com maio de 2025, nota-se uma rotatividade acentuada entre os setores. Enquanto o turismo, representado pela restauração e alojamento, adicionou 404.000 empregos, o setor agrícola sofreu uma contração significativa, eliminando 403.000 postos de trabalho. Este movimento de migração de mão de obra entre setores indica uma transição econômica em curso.

Além da agricultura, os serviços profissionais, financeiros e corporativos registraram uma perda de 151.000 postos, enquanto a administração pública reduziu sua folha em 118.000 pessoas. Essas quedas setoriais sugerem que a demanda por serviços corporativos e o peso do setor público podem estar sofrendo ajustes frente a pressões orçamentárias ou mudanças nas estratégias de contratação das empresas.

Tensões para stakeholders

Para os reguladores e o governo, o desafio reside em incentivar a formalização sem comprometer a criação de vagas. A estagnação da informalidade indica que as medidas atuais ainda não são capazes de absorver a força de trabalho que busca segurança jurídica e previdenciária. As empresas, por sua vez, enfrentam um mercado onde a oferta de mão de obra cresce, mas a alocação entre setores de maior valor agregado ainda é desigual.

O ecossistema de negócios mexicano, fortemente integrado às cadeias de suprimentos globais, observa com atenção essas flutuações. A capacidade de reter talentos em setores de alta produtividade, como a indústria, que emprega 9,8 milhões de pessoas, será o fiel da balança para a estabilidade econômica nos próximos trimestres, especialmente em um cenário de incerteza global.

Perspectivas e incertezas

O que permanece incerto é se o aumento de três décimas no desemprego é um ponto fora da curva ou o início de uma tendência de arrefecimento. A estabilidade na taxa de participação indica que a força de trabalho está ativa, mas a capacidade de absorção do mercado será testada nos próximos meses.

Observar a evolução da informalidade e o comportamento dos setores de serviços e indústria será essencial para entender o próximo ciclo econômico. A transição entre postos de trabalho entre agricultura e serviços reflete uma mudança estrutural que ainda não se traduziu em ganhos de produtividade generalizados.

O comportamento do mercado de trabalho mexicano em maio traz sinais mistos que exigem monitoramento contínuo. Enquanto o país demonstra resiliência na geração de vagas, a composição dessa força de trabalho e a persistência da informalidade definem os limites do crescimento econômico atual. A forma como o governo e o setor privado responderão a essas pressões setoriais moldará a trajetória do país no restante do ano.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España