A Tesla está adicionando turnos de produção em sua Gigafactory de Berlim para acelerar a fabricação do Model Y, seu veículo de maior volume. O objetivo é atingir uma cadência de 7.500 carros por semana até meados de outubro, um salto significativo em relação à capacidade atual, que não chega a 6.500 unidades. Para isso, a companhia programou três turnos extras em setembro, cobrindo a maior parte das operações de montagem.

A manobra, reportada pelo site especializado Drive Tesla Canada, é mais do que um simples aumento de volume. É um movimento estratégico para transformar a planta alemã em um pilar mais robusto da rede de manufatura global da Tesla. A aceleração busca resolver um gargalo logístico: prazos de entrega que se estendem até 2027 para compradores no Canadá, mercado que passou a ser abastecido pela fábrica europeia.

A engrenagem europeia

O esforço em Berlim é um teste para a excelência operacional da Tesla. A meta não é apenas montar mais carros, mas fazê-lo de forma mais eficiente. Em junho, o gerente da planta, André Thierig, afirmou que a intenção era reduzir o tempo de ciclo de produção por veículo de 80 para apenas 45 segundos. Atingir essa marca é crucial para justificar o investimento e consolidar a Alemanha como um centro de exportação, e não apenas um fornecedor regional.

Este ajuste na produção ocorre após um 2025 de menor volume para a Giga Berlin, quando a produção caiu ligeiramente para 202 mil veículos, ante 211 mil no ano anterior — ainda que o lucro líquido da operação tenha surpreendido, chegando a €77,1 milhões. Ao suprir o Canadá a partir da Alemanha, a Tesla reequilibra sua malha logística, potencialmente liberando capacidade em suas fábricas norte-americanas para outros mercados ou modelos.

A aposta na demanda

O plano de expansão, que deve gerar cerca de 3.500 novos empregos, sinaliza uma aposta na resiliência da demanda pelo Model Y nos mais de 30 mercados atendidos pela planta. A execução, no entanto, é complexa. Mesmo com os turnos adicionais, a produção máxima em setembro deve ficar entre 7.100 e 7.300 veículos por semana, um pouco abaixo da meta final. O desafio é sincronizar a linha de montagem com a produção de componentes, como as unidades de tração e as baterias.

Paralelamente, a Tesla planeja escalar a produção local de células de bateria para até 18 GWh anuais, um passo fundamental para a verticalização e controle de custos. A performance da Giga Berlin nos próximos meses será um termômetro da capacidade da empresa de refinar sua máquina industrial em escala global, deixando para trás a era do “inferno da produção” para entrar em uma fase de otimização contínua.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Drive Tesla Canada