A Tesys Activos Financieros oficializou o lançamento do 'Tesys Value FI', seu segundo veículo de investimento voltado para a renda variável internacional com viés de valor. Segundo comunicado da gestora espanhola, o fundo busca identificar companhias consideradas infravaloradas pelo mercado, operando com uma seleção concentrada de ativos que ofereçam um amplo margem de segurança para o investidor.
Este novo produto compartilha a filosofia de investimento do 'Tesys Internacional FI', o primeiro fundo da casa. A estratégia baseia-se em análise fundamentalista rigorosa, visão de longo prazo e uma gestão ativa de alta convicção, distanciando-se de índices de referência para buscar retornos descorrelacionados do consenso de mercado.
Foco em empresas familiares e estáveis
A carteira inicial do Tesys Value FI revela uma preferência clara por companhias com perfil familiar e estrutura acionária estável. A holding de investimento francesa Eurazeo lidera as posições, representando 8,98% do patrimônio. Logo atrás, destacam-se o fabricante de embalagens Groupe Guillin (7,79%) e o grupo industrial Burelle (6,97%), evidenciando a inclinação da gestora por setores industriais tradicionais.
Completam o bloco das cinco maiores participações a vinícola francesa Laurent-Perrier (5,39%) e a gestora italiana Azimut Holding (5,12%). A escolha desses ativos sugere uma busca por empresas com modelos de negócio consolidados, muitas vezes fora do radar de grandes fundos globais que priorizam o crescimento acelerado em setores de tecnologia.
Concentração geográfica europeia
Geograficamente, a estratégia do fundo é marcadamente europeia, com mais de 90% da alocação concentrada no continente. O 'Resto da Europa' lidera a distribuição com 55%, enquanto a região da Península Ibérica responde por 28,7% dos ativos. A presença em mercados como Estados Unidos e Reino Unido é marginal, situando-se em 6,2% e 3,7%, respectivamente.
Essa distribuição reflete uma tese de investimento que privilegia o conhecimento local e a proximidade com os ativos. Ao evitar a exposição excessiva aos mercados americanos, a Tesys busca mitigar riscos macroeconômicos globais, focando em empresas cujas dinâmicas de valorização são menos dependentes de ciclos de juros de grandes potências.
Estrutura de custos e gestão
Sob a gestão de Aníbal San Miguel Bielsa, até então analista da Tesys AF SGIIC, o fundo adota uma estrutura de taxas diferenciada por classe de participação. Não há cobrança de taxas de subscrição ou reembolso, o que facilita o acesso do investidor. A taxa de sucesso é fixada em 9%, enquanto a taxa de gestão varia entre 0,90% e 1,25%, dependendo do volume investido.
Esta segmentação por classe de ativos — com a Classe I reservada para investimentos acima de 500.000 euros — indica um esforço da gestora para atrair tanto investidores institucionais quanto clientes de alta renda que demandam assessoria independente. A estrutura reflete um modelo de negócio que busca alinhar os interesses da gestora ao desempenho de longo prazo do fundo.
Perspectivas para o modelo de valor
O lançamento ocorre em um momento em que a estratégia de 'valor' enfrenta o desafio de provar sua resiliência frente a ciclos de alta volatilidade. A capacidade da Tesys de manter uma carteira tão concentrada em empresas europeias será testada pela performance econômica da região, que tem enfrentado dificuldades de crescimento estrutural em comparação a outros mercados desenvolvidos.
O mercado observará se a aposta em companhias familiares será suficiente para gerar o alfa esperado pelos investidores. A questão central permanece sobre a escalabilidade dessa estratégia, dado que o foco em empresas de capital estável pode limitar o universo de investimento à medida que o patrimônio do fundo crescer.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





