Theodore Gillibrand, aos 22 anos, acaba de garantir US$ 30 milhões em uma rodada de financiamento liderada pela firma de venture capital Lux Capital. O aporte avalia sua nova startup, a American Perpetuals Exchange Corporation (APEC), em US$ 300 milhões. O movimento marca a entrada do jovem empreendedor — recém-graduado pela Universidade Stanford e com passagens por fundos como Paradigm e Andreessen Horowitz — no mercado de infraestrutura financeira de alto risco.

A APEC tem como objetivo principal a negociação de futuros perpétuos, ou "perps", instrumentos derivativos que permitem apostar na variação de preços de ativos sem a necessidade de custódia direta. A estratégia da empresa, contudo, difere da maioria dos projetos de criptoativos: o foco declarado é listar derivados de ações e índices de mercado, operando sob a supervisão da Commodity Futures Trading Commission (CFTC).

A ascensão dos futuros perpétuos

Os futuros perpétuos ganharam tração significativa no ecossistema de ativos digitais, consolidando-se como uma das classes de ativos mais movimentadas do setor. Diferente dos contratos futuros tradicionais, esses instrumentos não possuem data de vencimento, o que atrai especuladores que buscam exposição contínua 24 horas por dia. O sucesso de protocolos descentralizados, como a Hyperliquid, demonstrou a demanda latente por esse tipo de liquidez, especialmente em momentos de fechamento das bolsas tradicionais.

A transição desses instrumentos para o mercado financeiro convencional é um movimento observado de perto por reguladores. Em maio, a Kalshi tornou-se a primeira empresa autorizada pela CFTC a listar contratos de futuros perpétuos baseados em Bitcoin. A iniciativa, elogiada por autoridades como Mike Selig, sugere uma mudança de paradigma: o desejo de trazer volumes massivos de negociação para dentro do arcabouço regulatório dos Estados Unidos, desencorajando o uso de plataformas offshore sem supervisão.

A estratégia regulatória da APEC

A tese central da APEC é que a infraestrutura de derivativos deve ser institucional e doméstica. Ao buscar licenciamento da CFTC, a startup tenta se distanciar da imagem de volatilidade desregulada frequentemente associada a exchanges de criptomoedas estrangeiras. O próprio Theodore Gillibrand defendeu publicamente que o futuro desses mercados reside em companhias americanas devidamente reguladas.

Esta abordagem busca capitalizar sobre a crescente aceitação institucional dos derivativos perpétuos. Ao focar em ações e índices, a APEC tenta criar uma ponte entre a agilidade tecnológica desenvolvida no ambiente cripto e a segurança jurídica exigida pelos mercados de capitais tradicionais. A aposta é que investidores institucionais prefiram a previsibilidade de uma plataforma sob jurisdição americana em vez da opacidade de protocolos globais.

Conexões políticas e o setor de ativos digitais

O sobrenome do fundador adiciona uma camada de complexidade ao projeto. Sua mãe, a senadora Kirsten Gillibrand, tem se posicionado como uma aliada do setor de ativos digitais no Congresso americano. A senadora tem sido uma das principais legisladoras por trás de propostas e marcos regulatórios focados em stablecoins e no mercado de criptoativos de forma mais ampla. Essa proximidade com o debate regulatório coloca a APEC sob um escrutínio natural do mercado.

Para o ecossistema de venture capital, o investimento da Lux Capital sinaliza uma confiança na viabilidade técnica e regulatória da proposta. No entanto, a execução será o teste real. A transição de um modelo de negociação 24/7 para o ambiente de ações, que possui horários de funcionamento específicos e regras de compensação distintas, exigirá uma navegação política e técnica complexa junto aos órgãos reguladores.

O futuro da infraestrutura financeira

O que permanece incerto é a receptividade dos mercados de ações tradicionais a um modelo de derivativos perpétuos. A CFTC terá a palavra final sobre a viabilidade dessas listagens, e a concorrência com bolsas estabelecidas será um desafio de longo prazo para a startup.

O mercado acompanhará de perto como a APEC equilibrará a inovação tecnológica com as exigências de conformidade. A trajetória de Theodore Gillibrand será um indicativo importante de como a nova geração de empreendedores pretende fundir o dinamismo das cripto-finanças com a solidez do sistema financeiro tradicional. A questão fundamental é se a regulação, em vez de limitar, servirá como o grande acelerador desse novo mercado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune