Trabalhadores com mais de 55 anos exibem um nível superior de vinculação e implicação em suas atividades laborais, ao mesmo tempo em que relatam uma percepção menor de discriminação etária dentro de suas organizações. Esta é a principal conclusão de um estudo conduzido pela Cátedra Bienestar+, uma iniciativa acadêmica e social que busca abordar os desafios da longevidade com base em evidências científicas. A pesquisa foi apresentada no Palau Macaya, em Barcelona, e é um esforço conjunto de CaixaBank, Fundação La Caixa e VidaCaixa, com a colaboração de importantes universidades como Deusto, Comillas e Esade.

O levantamento, que consultou online 3.000 pessoas ativas no mercado de trabalho, com idades entre 18 e 74 anos, e que atuam em empresas com dez ou mais funcionários, detalha a inclusão etária e o bem-estar no ambiente profissional. A análise foca na percepção dos trabalhadores sobre o valor que suas empresas lhes atribuem e as oportunidades de crescimento oferecidas, independentemente da idade. Os resultados indicam que os grupos etários mais jovens (18-24 anos) e os mais maduros (acima de 55 anos) apresentam os índices globais mais elevados de bem-estar e implicação, superando outras faixas etárias. Curiosamente, homens registraram valores superiores às mulheres em todas as idades, com a disparidade sendo mais acentuada entre os mais jovens e os mais velhos (65-74 anos).

Longevidade como Desafio e Oportunidade

A longevidade, celebrada como uma conquista social, apresenta simultaneamente desafios complexos para o mercado de trabalho e a sociedade em geral. O presidente da CaixaBank, Tomás Muniesa, ressaltou que este fenômeno não pode ser abordado de forma isolada, exigindo uma abordagem multidisciplinar e a colaboração de diversas instituições. A Cátedra Bienestar+ se insere nesse contexto, promovendo um diálogo contínuo entre academia e setor produtivo para fomentar ambientes de trabalho mais inclusivos e produtivos para todas as idades. O estudo sugere que a experiência e a dedicação dos trabalhadores mais velhos são ativos valiosos, muitas vezes subestimados.

Mecanismos de Engajamento e Percepção de Valor

O estudo da Cátedra Bienestar+ sugere que os trabalhadores com mais de 55 anos tendem a valorizar mais a estabilidade e as oportunidades de desenvolvimento que suas empresas lhes proporcionam. Essa percepção de valor e o reconhecimento de suas contribuições parecem ser fatores chave para o aumento de sua vinculação e implicação. Em contrapartida, a menor incidência de discriminação etária relatada por este grupo pode indicar que as empresas que mais se beneficiam de sua experiência são também aquelas que cultivam uma cultura mais equitativa e menos propensa a estereótipos de idade. A análise, portanto, aponta para um ciclo virtuoso onde o reconhecimento leva ao engajamento, e o engajamento reforça a percepção de valor.

Implicações para o Mercado de Trabalho e Empresas

As descobertas têm implicações significativas para empresas que buscam otimizar seu capital humano. Ignorar a força de trabalho sênior representa uma perda de talento, experiência e lealdade. As organizações que promovem ativamente a inclusão etária, oferecendo desenvolvimento contínuo e reconhecendo as contribuições de todos os seus colaboradores, tendem a colher frutos em termos de produtividade e bem-estar geral. Para o Brasil, um país com uma população envelhecendo rapidamente, esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas e corporativas que incentivem a permanência e a valorização de trabalhadores mais velhos no mercado formal.

Perguntas em Aberto e o Futuro do Trabalho Sênior

Ainda que o estudo da Cátedra Bienestar+ ofereça um panorama positivo sobre os trabalhadores com mais de 55 anos, restam questões importantes. Como as empresas podem replicar e escalar essas práticas de inclusão etária de forma consistente? Quais são os fatores específicos que levam à maior percepção de valor e menor discriminação neste grupo? E como garantir que a longevidade no trabalho seja acompanhada por um envelhecimento ativo e saudável, tanto física quanto mentalmente? O futuro do trabalho sênior dependerá da capacidade de adaptar modelos e mentalidades às realidades de uma sociedade cada vez mais longeva.

O estudo serve como um importante contraponto a visões pessimistas sobre o envelhecimento no mercado de trabalho, sugerindo que a experiência e a dedicação de profissionais mais velhos são ativos valiosos que merecem ser cultivados e reconhecidos. A longevidade, longe de ser um fardo, pode ser uma fonte de força e estabilidade para as organizações.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España