Após quase seis meses de um conflito militar que não forçou a capitulação de Teerã, a administração Trump está pivotando sua estratégia. A aposta volta a ser a pressão econômica máxima, uma tática familiar do primeiro mandato do presidente, agora rebatizada de "Operation Economic Fury". A nova abordagem combina um aumento constante de sanções com um bloqueio naval para estrangular as exportações de petróleo do Irã.

A mudança de curso, de uma campanha militar para uma de asfixia econômica, é um reconhecimento implícito dos limites da força e do desgaste de uma guerra impopular. Segundo reportagem da Fortune, a Casa Branca acredita que, desta vez, a pressão econômica funcionará. A tese é que o cenário global mudou, tornando o regime iraniano mais vulnerável do que no passado.

A aposta na implosão econômica

A operação é liderada pelo Secretário do Tesouro, Scott Bessent, e a retórica da administração é clara. "'Operation Economic Fury'... está devastando a economia iraniana", disse o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, que afirmou que os iranianos temem mais Bessent do que o Secretário de Defesa. O próprio Trump declarou à Axios que está "pegando leve" com o Irã no campo militar, preferindo "apenas observar o Irã com sua inflação enorme e o fato de que eles não têm dinheiro".

Os dados parecem corroborar a crise. A inflação anual no Irã atingiu 77%, segundo o banco central do país, e a moeda local, o rial, desvalorizou mais de 10% desde o início da guerra. O argumento de Washington é que, com rotas de evasão de sanções em países como os Emirados Árabes Unidos se tornando menos acessíveis, as medidas americanas existentes se tornam "muito mais potentes", como avalia Miad Maleki, ex-oficial do Tesouro americano.

O limite das sanções e o fator China

Contudo, o ceticismo é justificado. Os EUA aplicam sanções ao Irã há décadas sem conseguir uma mudança política significativa, um padrão visto também em Cuba e na Coreia do Norte. Desde 2018, foram adicionadas cerca de 2.200 novas sanções contra Teerã. Para analistas como David Tannenbaum, da Blackstone Compliance Services, o regime está "entrincheirado" e não abrirá mão de seu programa nuclear por causa da pressão econômica.

A eficácia da estratégia encontra um limite claro: a China. Pequim é responsável por mais de 90% das compras do petróleo iraniano. Aumentar a pressão significaria sancionar grandes bancos chineses que financiam esse comércio. Tal movimento, no entanto, arriscaria abrir uma nova frente de batalha diplomática com a China, especialmente antes de uma reunião planejada entre Trump e o presidente Xi Jinping em setembro.

O pivô para a guerra econômica, portanto, não é uma bala de prata. Cada novo degrau na escada das sanções traz custos diplomáticos maiores com retornos cada vez mais incertos. A Casa Branca pode ter mais alavancas para puxar, mas o sucesso da empreitada parece depender menos da determinação americana e mais de um delicado cálculo geopolítico que envolve Pequim e a resiliência do próprio regime iraniano.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune