O fundo de investimento imobiliário TRX Real Estate (TRXF11) lançou a maior oferta de cotas da história do setor no Brasil, com um potencial de captação de até R$ 10 bilhões. A operação, coordenada pelo BTG Pactual, parte de um lote inicial de R$ 5 bilhões, mas que pode ser dobrado a depender da demanda. O alvo são exclusivamente investidores profissionais, um sinal de que conversas avançadas com potenciais âncoras já podem ter assegurado parte relevante do montante.

Com a movimentação, o TRXF11, que hoje possui um patrimônio líquido de R$ 6 bilhões, pode se tornar o maior fundo imobiliário do país. A leitura aqui é que a gestora TRX não está apenas levantando capital, mas sim executando uma agressiva estratégia de crescimento via aquisições, apostando na resiliência e valorização de ativos imobiliários de alta qualidade, mesmo em um cenário de juros ainda elevados.

Um cheque com destino certo

Grande parte dos recursos já tem destino. O fundo anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a Cyrela para a compra de cinco propriedades por R$ 2,13 bilhões. O portfólio inclui o edifício corporativo na Rua Oscar Freire, em São Paulo, que já tem o Nubank como locatário em um contrato de dez anos, além de quatro galpões logísticos em localizações estratégicas. Outro memorando foi firmado com a Log Commercial Properties para a aquisição de um complexo logístico em Recife por R$ 210 milhões.

A estrutura das transações revela o modus operandi da TRX. No negócio com a Cyrela, metade do pagamento será em dinheiro e a outra metade em cotas do próprio TRXF11, alinhando os interesses entre comprador e vendedor. Essa engenharia financeira, que transforma o vendedor em sócio do fundo, tem sido uma marca da gestora para viabilizar negócios de grande porte e mitigar o desembolso de caixa.

O foco permanece em ativos essenciais para a economia, como galpões logísticos — a espinha dorsal do e-commerce — e lajes corporativas premium, que mantêm sua atratividade mesmo com a consolidação do trabalho híbrido. A estratégia de sale and leaseback, comprando imóveis e mantendo o antigo dono como inquilino, também continua sendo uma ferramenta central para a expansão do portfólio.

A megaoferta da TRX é um teste para o apetite do mercado de capitais por ativos reais. Se bem-sucedida, não apenas consolidará o TRXF11 como um gigante do setor, mas também servirá de termômetro para a confiança dos investidores institucionais na economia, sinalizando que, para o tijolo de qualidade, o capital segue disponível e otimista.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times