A insurtech Tuio identificou o setor de seguros residenciais como o campo ideal para a aplicação da Inteligência Artificial (IA), buscando otimizar processos e reduzir custos. Segundo José María Lucas, CEO da companhia, o sucesso da seguradora está intrinsecamente ligado ao cliente digital, um segmento que, segundo ele, a indústria tradicional tem dificuldade em rentabilizar.

A estratégia da Tuio se baseia na premissa de que sinistros residenciais, embora pequenos, ocorrem com alta frequência. A incorporação de tecnologia, especialmente a IA, permite analisar dados de forma mais precisa, diferentemente da abordagem manual anterior, onde as variações entre tramitadores podiam gerar discrepâncias de custo de até 70%. A plataforma da Tuio coleta informações detalhadas dos sinistrados, que são então processadas por um sistema de IA, como o Watson, capaz de analisar vídeos e dados para determinar a severidade, urgência, potencial de fraude e coberturas aplicáveis.

Análise: A IA como diferencial competitivo

O uso de IA no processamento de sinistros residenciais pela Tuio representa um movimento estratégico para ganhar eficiência e competitividade. Ao automatizar a análise de dados e a tomada de decisões em casos de menor complexidade, a empresa libera recursos humanos para lidar com situações mais críticas ou para focar em outras áreas do negócio. A capacidade da IA de identificar padrões e anomalias, como a propensão a fraudes, contribui para a redução de perdas e a otimização dos custos operacionais. Essa abordagem permite que a Tuio ofereça um serviço mais ágil e potencialmente mais justo aos seus clientes, ao mesmo tempo em que melhora sua margem de lucro.

O cliente digital como pilar do negócio

A Tuio foca no cliente digital, um público que, segundo o CEO, é mal atendido pela indústria de seguros tradicional. A empresa observa que enquanto clientes mais velhos geram sinistros com menor custo para as seguradoras, os clientes mais jovens tendem a ter um índice combinado próximo ou superior a 100%, indicando dificuldade em rentabilizá-los. A Tuio utiliza um chatbot para capturar informações e guiar os clientes durante o processo de contratação, resultando em mais de 98% das apólices sendo assinadas sem intervenção humana. Essa digitalização não só agiliza o processo, mas também reduz drasticamente os custos de atendimento, que caem de 3,2 euros por conversa para 19 cêntimos com o uso da IA.

Implicações para o mercado de seguros

O modelo da Tuio aponta para uma possível reconfiguração do mercado de seguros, especialmente no ramo residencial. A capacidade de atender eficientemente o cliente digital e de otimizar custos através da IA pode pressionar seguradoras tradicionais a acelerarem suas próprias transformações digitais. A participação da Mapfre, uma gigante do setor, na Tuio sugere um interesse estratégico em explorar novas tecnologias e modelos de negócio. Para o consumidor, isso pode significar maior agilidade, processos mais transparentes e, potencialmente, produtos mais adequados às suas necessidades, embora a dependência de IA também levante questões sobre a personalização e o atendimento humano em casos complexos.

Perguntas em aberto sobre o futuro da insurtech

Embora a Tuio demonstre um modelo promissor, algumas questões permanecem em aberto. A capacidade da IA de lidar com sinistros residenciais mais complexos ou com nuances emocionais dos clientes ainda é um ponto a ser observado. Além disso, a escalabilidade desse modelo em diferentes mercados e a adaptação a regulamentações específicas de cada país serão desafios cruciais. A confiança do cliente na tecnologia para gerenciar suas apólices e sinistros, especialmente em momentos de vulnerabilidade, também será um fator determinante para o sucesso a longo prazo da Tuio.

A aposta da Tuio em IA e no cliente digital reflete uma tendência crescente no setor de seguros, onde a tecnologia se torna um diferencial competitivo fundamental para a eficiência operacional e a conquista de novos mercados. A empresa busca redefinir a experiência do cliente, tornando-a mais ágil e rentável. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España