A tuneladora apelidada de Mayrit atingiu a marca de 672,6 metros de escavação sob o solo de Madrid. O equipamento, central para a expansão da Linha 11 do sistema de transporte da capital espanhola, opera agora em ritmo acelerado após uma fase inicial de ajustes técnicos. Segundo dados da Consejería de Vivienda, Transportes e Infraestructuras, a operação já resultou na remoção de 46.676 metros cúbicos de terra, volume comparável ao enchimento de 19 piscinas olímpicas, em menos de dois meses de atividade intensa.
Engenharia de precisão e escala
A complexidade da obra exige uma logística rigorosa. A tuneladora utiliza uma rede de cintas transportadoras que leva o material escavado até a superfície, onde é carregado por uma frota de 150 caminhões. Esse solo é reaproveitado na restauração de áreas degradadas e antigas minas. Para garantir a estabilidade do túnel, estão sendo instalados anéis de concreto fabricados em uma unidade dedicada em Toledo, que produz 42 dovelas diariamente para compor a estrutura permanente de 5.227 metros previstos entre as estações Comillas e Conde de Casal.
Dinâmica de avanço e produtividade
Após o período de rodagem, a expectativa é que a Mayrit mantenha uma média diária de 15 metros, operando em regime de 24 horas por dia, sete dias por semana. O cronograma prevê que o trecho inicial até Madrid Río seja concluído em junho, seguido por uma parada técnica para revisão. A gestão da obra, coordenada pelo diretor de Infraestruturas de Transporte Colectivo, Miguel Núñez, projeta que a perfuração total seja finalizada entre maio e junho de 2027, um prazo agressivo para uma intervenção urbana desta magnitude.
Impacto na mobilidade urbana
A futura Linha 11 é descrita como a "grande diagonal" de Madrid, um traçado de 33,5 quilômetros que conectará Cuatro Vientos a Valdebebas. Ao integrar pontos estratégicos como o hospital Zendal, o aeroporto e o futuro circuito de Fórmula 1 em Ifema, o projeto visa reduzir drasticamente o tempo de deslocamento transversal, evitando a necessidade de transbordo no centro da cidade. Com um investimento total superior a 2,5 bilhões de euros, a obra é um componente vital para a estratégia de desenvolvimento metropolitano até 2031.
Perspectivas e desafios futuros
Embora o avanço físico supere os 50% na fase atual, a integração completa da linha ainda enfrenta o desafio de manter a continuidade logística ao longo dos próximos anos. A capacidade de sustentar o ritmo de 400 a 500 metros mensais será determinante para cumprir os prazos estabelecidos. O sucesso desta operação em Madrid oferece lições valiosas para outras metrópoles globais que buscam modernizar sistemas de transporte sob densas camadas urbanas.
A complexidade de integrar infraestruturas de transporte em cidades históricas permanece como um dos maiores desafios de engenharia do século XXI. A forma como Madrid executa esta expansão, equilibrando tecnologia de ponta com logística de materiais em larga escala, estabelece um precedente importante para futuras intervenções urbanas. O desenrolar das próximas etapas da Linha 11 continuará sendo um indicador fundamental da capacidade de gestão de infraestrutura europeia.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





