O UBS BB mantém uma perspectiva otimista quanto à continuidade do ciclo de cortes da taxa Selic, divergindo da postura mais cautelosa adotada atualmente pelo mercado financeiro. Segundo relatório divulgado pela instituição, o Banco Central deve promover mais duas reduções de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões, mantendo o ritmo de afrouxamento que sucedeu a recente decisão do Copom de fixar a taxa em 14,25% ao ano.

Para o banco, a decisão do Comitê de Política Monetária não apenas cumpriu as expectativas, mas também reafirmou a estratégia de uma flexibilização gradual. O UBS BB sustenta que o comunicado oficial deixou espaço aberto para ajustes adicionais, fundamentado em projeções de inflação que permanecem compatíveis com uma política monetária menos restritiva ao longo dos próximos meses.

A divergência entre projeções e o sentimento de mercado

A análise do UBS BB aponta que a precificação atual do mercado, que enxerga o corte recente como o provável encerramento do ciclo, é excessivamente conservadora. O banco argumenta que, mesmo com o ajuste realizado, a taxa real de juros no Brasil ainda se mantém em um patamar elevado e restritivo para a atividade econômica. Essa leitura sugere que a autoridade monetária possui margem de manobra para continuar o afrouxamento sem comprometer a estabilidade de preços, desde que as expectativas de inflação para 2027 permaneçam ancoradas abaixo da meta.

A estratégia do Copom, descrita pelo banco como pautada pela "serenidade e cautela", indica que o Banco Central não pretende acelerar o passo, mas tampouco deseja encerrar o ciclo abruptamente. A persistência dessa postura, segundo o relatório, tende a sustentar a continuidade da queda dos juros, ainda que o mercado demore a ajustar suas expectativas para refletir essa trajetória de longo prazo.

O peso da variável fiscal na política monetária

O cenário fiscal surge como o principal determinante para os rumos da política monetária no pós-eleição. O UBS BB trabalha com uma probabilidade de 60% de convergência gradual para um superávit primário de 1,5% do PIB, um fator que, se concretizado, daria ao Banco Central a credibilidade necessária para reduzir a Selic em mais 50 pontos-base até o final do ano. Na ausência desse ajuste, a instituição reconhece que o Comitê poderá ser forçado a pausar o ciclo de cortes.

A dinâmica de incentivos aqui é clara: a política monetária atua como um reflexo da confiança fiscal. Enquanto o mercado permanece cético quanto à sustentabilidade das contas públicas, o banco vê uma melhora estrutural como o gatilho para uma flexibilização mais robusta, transformando a disciplina orçamentária em um ativo direto para o barateamento do custo do crédito no país.

Implicações para investidores e ativos brasileiros

Diante desse cenário, o UBS BB mantém uma posição comprada em títulos de renda fixa de 10 anos, enxergando a classe como atrativa devido aos prêmios de risco que, segundo o banco, ainda se encontram cerca de duas vezes acima do nível neutro. Além disso, o real é apontado como a moeda preferida na região, sustentado pelo elevado diferencial de juros — o chamado carry trade — que atrai capital estrangeiro em comparação a outros mercados emergentes.

A leitura é de que, embora o risco-retorno seja favorável, o timing da reprecificação pelo mercado será lento. Investidores que acompanham a tese do banco devem monitorar a evolução dos dados fiscais e a comunicação do Copom, que continuam a ser os vetores que ditam a volatilidade e o prêmio de risco da curva de juros brasileira.

Caminhos incertos para a política monetária

O que permanece em aberto é a capacidade do governo em entregar o ajuste fiscal necessário para sustentar as projeções de longo prazo. A incerteza sobre a composição do cenário pós-eleitoral e a resiliência da inflação de serviços são fatores que exigem atenção constante dos analistas.

O mercado continuará a oscilar entre o conservadorismo defensivo e a busca por retornos em um ambiente de juros ainda altos, mas com tendência de queda. A evolução dos indicadores macroeconômicos nos próximos dois meses será o teste definitivo para a tese de que o ciclo de afrouxamento possui fôlego para ir além do que hoje se precifica.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times