O observatório Edge NYC, localizado no 100º andar do arranha-céu 30 Hudson Yards, em Nova York, inaugurou uma série de instalações de arte imersiva para complementar sua já famosa vista panorâmica. A atração, conhecida por abrigar o deck de observação a céu aberto mais alto do hemisfério ocidental, a 350 metros de altura, agora busca oferecer uma jornada sensorial que vai além da contemplação.

As sete obras foram desenvolvidas pelos estúdios de design Softlab e Moment Factory. A aposta em arte interativa, segundo reportagem da publicação de design e arquitetura Dezeen, sugere uma estratégia para aprofundar o engajamento do visitante. A tese é transformar um ponto turístico de observação passiva em um destino de interação, onde a experiência interna se torna tão relevante quanto a paisagem externa.

A energia da cidade, encapsulada

Duas instalações se destacam. A primeira, chamada "Pulse" e criada pela Softlab, consiste em 450 globos de luz que pulsam e mudam de cor conforme os visitantes se movem pelo ambiente. Segundo Michael Szivos, diretor do estúdio, a obra busca "capturar a energia de Nova York", com as esferas representando a cidade como "um mundo dentro de mundos". A paleta de cores, que transita entre tons quentes e frios, é inspirada nas mudanças do céu ao longo do dia, do meio-dia ao crepúsculo.

A segunda é a obra do estúdio Moment Factory, intitulada "Kaleidoscope" e apresentada como o maior caleidoscópio de Nova York. A instalação permite que os visitantes entrem em um espaço prismático e sejam envolvidos por padrões geométricos e luzes em constante mutação. Patrick Bisson, diretor criativo da Moment Factory, explica que o objetivo foi criar um "espelho da natureza dinâmica da cidade", integrando o movimento do público ao conteúdo digital para gerar uma experiência espacial que nunca se repete.

Mais que uma vista, uma narrativa

A estratégia por trás do projeto foi supervisionada pela agência Journey, que partiu da própria arquitetura angular do Edge para definir o conceito. A ideia, segundo a agência, foi usar a "linguagem visual de triângulos e energia prismática" para oferecer novas perspectivas da cidade. A experiência foi desenhada para ser uma narrativa contínua, começando antes mesmo de o visitante chegar ao topo, com intervenções artísticas no elevador ("Skyrise") e no corredor de entrada ("Prism").

Este movimento coloca o Edge em diálogo direto com fenômenos como o coletivo de arte japonês TeamLab, cujas exposições digitais e imersivas se tornaram um sucesso global. A integração de arte de alta tecnologia em pontos turísticos icônicos aponta para uma tendência de "experiencialização" do turismo urbano. Nela, o valor da atração não está apenas no que se vê, mas no que se sente e em como se interage com o espaço.

A adição das obras ao Edge, que já divide o complexo de Hudson Yards com marcos como a escultura Vessel e o centro cultural The Shed, reforça a tese de que, mesmo no topo de um dos maiores centros urbanos do mundo, a vista já não é suficiente. A competição pela atenção do público agora se dá no campo da experiência multissensorial, um roteiro que outros marcos arquitetônicos, inclusive no Brasil, podem vir a seguir.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen