O Senado dos Estados Unidos confirmou o nome de Daniel Perez para a embaixada americana no Brasil, em uma votação em bloco que incluiu outras 15 nomeações. A aprovação, contudo, é apenas um passo no processo: Perez, um deputado republicano indicado pelo ex-presidente Donald Trump, ainda precisa do agrément, o consentimento formal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o posto em Brasília.
A questão ganha contornos de um impasse diplomático. A confirmação pelo Senado ocorre dias após o Departamento de Estado americano revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A leitura é clara: uma medida de pressão para acelerar a decisão do Itamaraty, que analisa a indicação desde junho, segundo reportagem do InfoMoney.
O cálculo político em Brasília
A diplomacia opera com base na reciprocidade, mas a ação de Washington foi um passo além do usual. Ao vincular publicamente a revogação do visto de Viotti à demora brasileira, os EUA transformaram um processo protocolar em um teste de vontades. O Departamento de Estado foi explícito ao afirmar que a medida responde à lentidão do Brasil e que o visto de Viotti pode ser restabelecido assim que houver uma solução para a nomeação de Perez.
Para o governo Lula, a equação é complexa. Aceitar a indicação de um republicano ligado a Trump, figura com quem o presidente brasileiro tem notórias divergências políticas, pode gerar ruído interno e com sua base de apoio. Por outro lado, prolongar o impasse arrisca deteriorar a relação com um parceiro comercial e estratégico fundamental. A demora do Itamaraty sugere uma avaliação cuidadosa dos custos políticos e diplomáticos de ambas as opções.
Com a confirmação do Senado, a pressão sobre Brasília aumenta. A cadeira de embaixador americano, vaga, torna-se um símbolo da distância ou da pragmática reaproximação entre os dois governos. A decisão do Planalto definirá não apenas a ocupação de um posto, mas o tom da relação bilateral para os próximos anos, num cenário geopolítico já suficientemente complexo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





