O protótipo de uma das mais ambiciosas intervenções urbanas de Nova York está quase completo. Em um estaleiro no Brooklyn, a primeira versão da +Pool — uma piscina flutuante projetada para o East River — toma forma, com sua estrutura de aço e o sistema de filtragem que promete limpar a água do rio sem usar cloro.
O que começou como uma proposta de um grupo de jovens arquitetos em 2011 transformou-se numa saga de treze anos, envolvendo 17 aprovações de agências municipais, estaduais e federais. A materialização do projeto piloto, chamado "Pool 1", é menos sobre lazer e mais sobre a validação de uma tese de engenharia e urbanismo: é possível devolver os rios às pessoas de forma segura e ambientalmente consciente.
A engenharia por trás da utopia
A peça central da +Pool é seu sistema de filtração patenteado, desenvolvido em colaboração com a gigante de engenharia Arup. A tecnologia foi projetada para funcionar como uma peneira gigante, permitindo que a água do rio entre na piscina, mas barrando bactérias e poluentes. O objetivo é oferecer qualidade de água para nado sem o uso de produtos químicos, uma pequena revolução para a infraestrutura de lazer.
Este protótipo retangular servirá como teste em condições reais antes da construção da versão final, um complexo de 836 metros quadrados em formato de cruz. O projeto ganhou tração institucional, recebendo apoio da governadora de Nova York, Kathy Hochul, como parte da iniciativa NY Swims. Se o piloto for bem-sucedido, o modelo poderá ser replicado em outros corpos d'água do estado.
Burocracia e resiliência
O caminho até aqui, porém, foi longo. A complexidade de obter licenças para uma estrutura no East River, uma das hidrovias mais movimentadas do mundo, ilustra os desafios de inovar no espaço público. A demonstração pública, antes prevista para este ano, foi adiada para 2027. O motivo: a piscina precisa se conectar a linhas de esgoto que só estarão disponíveis após a conclusão de um projeto de resiliência costeira na mesma área.
O atraso evidencia como projetos de infraestrutura em grandes metrópoles são interdependentes e suscetíveis a um efeito dominó. Para a organização sem fins lucrativos Friends of +POOL, que lidera a iniciativa, o adiamento é um custo a ser absorvido em nome de uma visão maior: uma cidade que protege sua orla de tempestades ao mesmo tempo que abre o acesso público aos seus rios.
A +Pool é mais que um lugar para nadar. É um caso de estudo sobre perseverança em design urbano, engenharia ambiental e articulação público-privada. Seu sucesso, ou mesmo seus percalços, oferecerá lições valiosas para cidades em todo o mundo — incluindo as brasileiras — que buscam requalificar suas próprias orlas e reaproximar suas populações da água.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





