A empresa de tecnologia espanhola Quadrant Travel Technology anunciou o lançamento de uma plataforma B2B para agências de viagens com uma alegação ousada: ela teria sido construída integralmente com inteligência artificial, da arquitetura do sistema ao código e à interface de usuário.
Batizada de Quadrant Travel Cloud, a solução promete acelerar a evolução do produto em até 50 vezes em comparação com os métodos tradicionais de desenvolvimento de software. A leitura aqui não é que humanos foram totalmente removidos do processo, mas que a IA foi usada como ferramenta central em todo o ciclo de vida de desenvolvimento, um movimento que pode redefinir a agilidade no setor de travel tech, conhecido por seus sistemas legados e integrações complexas.
O fim do trabalho manual?
A proposta da Quadrant ataca uma dor central das agências de viagens: a morosidade na criação de pacotes personalizados. A plataforma permite que um agente monte, cote e documente um roteiro complexo — com múltiplos destinos, voos, hotéis e atividades — em minutos, a partir de uma única interface que compara centenas de fornecedores. Segundo a empresa, funcionalidades que levariam meses para serem desenvolvidas podem ser implementadas em semanas, e a integração de novos fornecedores é reduzida de meses para dias. A promessa é transferir essa velocidade para a operação diária das agências, automatizando processos como a retarificação de pacotes quando as condições de um voo ou hotel mudam.
O impacto no balanço
Além da eficiência operacional, a Quadrant reporta métricas de negócio expressivas para as agências que já utilizam a ferramenta. A companhia afirma que seus clientes registram um aumento de 30% nas vendas e um salto na margem de lucro de 12% para 17% — um ganho de 40%. A tese é que, ao gastar menos tempo com tarefas administrativas, que podem ser reduzidas em até 80%, os agentes podem se concentrar em consultoria e vendas, triplicando a taxa de conversão.
Para o mercado brasileiro de turismo, que movimenta bilhões e é servido por gigantes como CVC Corp e BeFly, a existência de uma plataforma como essa serve de alerta e inspiração. A questão que fica é se a promessa de um software “feito por IA” se traduzirá em uma vantagem competitiva duradoura no intrincado mercado de viagens, ou se a complexidade do mundo real imporá limites à automação. A indústria, certamente, estará observando.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





