O governo da Espanha anunciou um programa de 40 milhões de euros para acelerar a adoção de inteligência artificial por pequenas e médias empresas (PMEs) e startups. A iniciativa, coordenada pela entidade pública Red.es, foi detalhada pela secretária de Estado de Digitalização e Inteligência Artificial, María González Veracruz, segundo reportagem da Forbes Espanha.

Mais do que um simples subsídio, o programa é desenhado para gerar soluções práticas e aplicadas. A tese é que, para a IA se tornar uma infraestrutura nacional, ela precisa resolver problemas concretos do dia a dia das empresas, e não ser uma tecnologia acessível apenas a gigantes de tecnologia.

Um modelo de aplicação, não de invenção

O mecanismo é uma parceria público-privada. O governo, através da Red.es, financiará até 80% de cada projeto, com um teto de 12 milhões de euros por convênio. As entidades parceiras — como associações empresariais e centros de tecnologia — aportarão os 20% restantes. A contrapartida não é apenas financeira: os selecionados deverão gerar ao menos 30 casos de uso que respondam a necessidades reais do mercado.

Da prova de conceito à escala

A chave da estratégia está na exigência de que metade desses casos de uso seja "generalizável". Ou seja, as soluções desenvolvidas para uma empresa devem ser adaptáveis para que um grande número de outras PMEs possa utilizá-las. Segundo a secretária de Estado, o objetivo é transformar a IA em "uma ferramenta de competitividade e crescimento para todo o nosso tecido produtivo".

Enquanto outros países focam em financiar grandes modelos de linguagem, a Espanha aposta em uma estratégia de capilaridade e adoção na base da pirâmide empresarial. O sucesso do programa será medido não pela sofisticação da tecnologia desenvolvida, mas por sua efetiva aplicação e impacto na produtividade das pequenas e médias empresas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España