A Unidas, uma das maiores plataformas de mobilidade no Brasil, anunciou a conclusão de sua fase de transformação digital, um movimento que prepara o terreno para a adoção em larga escala de inteligência artificial. Segundo Alexei Korb, diretor executivo de Tecnologia e Inovação, a empresa finalizou um complexo processo de unificação que envolveu a integração das operações da antiga Ouro Verde, adquirida em um processo que teve seus marcos entre 2019 e 2022. A companhia agora se posiciona como uma plataforma multissetorial, atendendo desde o consumidor final até grandes frotas corporativas.
O movimento de modernização, que se intensificou entre 2023 e 2025, foi estruturado em 14 projetos estratégicos. Entre as ações, destacam-se a migração para a plataforma SAP S/4HANA, a implementação de um data lake centralizado e a consolidação de sistemas de RH e jurídico. De acordo com a liderança da empresa, essa base tecnológica única era o requisito indispensável para que a organização pudesse operar de forma integrada, reduzindo as complexidades herdadas de fusões anteriores e permitindo uma resposta mais ágil ao mercado.
A fundação da nova era digital
A estratégia de crescimento da Unidas para os próximos anos está alicerçada na superação de silos operacionais. A migração de ambientes para a nuvem e a padronização de plataformas de CRM não foram apenas ajustes técnicos, mas uma mudança de paradigma organizacional. A leitura aqui é que a companhia precisava, primeiro, garantir a higienização e a centralização de suas informações para que qualquer iniciativa de inteligência artificial tivesse eficácia real e não fosse apenas um experimento isolado.
Ao consolidar a operação de ponta a ponta, a Unidas busca agora eliminar as ineficiências que frequentemente surgem em empresas de grande porte com ativos distribuídos nacionalmente. A unificação dos sistemas de gestão de frotas permite, por exemplo, uma visão holística dos ativos, algo essencial em um setor onde a margem é ditada pela precisão na alocação e na manutenção dos veículos. O sucesso desta fase de integração é o que, segundo o executivo, sustenta a viabilidade dos novos projetos de inovação.
Dados como ativo estratégico
O segundo pilar da nova agenda estratégica é a exploração inteligente do vasto volume de dados gerados pela operação. A empresa detém informações granulares sobre hábitos de condução, preferências regionais e padrões de consumo que, se bem utilizados, podem atuar como uma vantagem competitiva significativa. A intenção é transformar esse patrimônio em decisões mais assertivas sobre precificação, aquisição de novos veículos e oferta personalizada de serviços.
Vale notar que o mercado de mobilidade no Brasil possui particularidades regionais acentuadas. A análise de dados permite que a Unidas entenda que a demanda por determinados tipos de veículos no Sul pode diferir drasticamente das necessidades no Norte. Ao aplicar inteligência analítica a essas variáveis, a empresa espera mover-se da simples locação de veículos para uma oferta de valor mais aderente, reduzindo o desperdício operacional e aumentando a satisfação do cliente em cada etapa da jornada.
IA na operação e no atendimento
A inteligência artificial surge como o motor de produtividade para a próxima fase. Iniciada oficialmente no segundo semestre de 2025, a adoção de IA na Unidas foca em dois eixos: a eficiência operacional interna e a melhoria da experiência do consumidor. A meta de longo prazo é alcançar a hiperpersonalização, onde o atendimento e a comunicação com o cliente sejam adaptados em tempo real às suas necessidades específicas, espelhando a experiência oferecida por plataformas digitais de alto nível.
Para os stakeholders, o movimento sinaliza uma tentativa clara de distanciar a Unidas de um modelo de negócio puramente baseado em ativos físicos. Competidores e investidores observarão de perto se a tecnologia conseguirá, de fato, gerar ganhos de margem ou apenas aumentar a complexidade operacional da gestão de TI. A capacidade da empresa em traduzir algoritmos em redução de custos e aumento de receita será o principal teste para a gestão nos próximos trimestres.
Desafios de escala e execução
Apesar do otimismo, a transição para uma empresa orientada por IA traz incertezas. A principal delas reside na velocidade de adoção e na integração dessas novas ferramentas com a cultura organizacional já estabelecida. Manter a agilidade em uma estrutura de grande porte, após anos de integração de sistemas, é um desafio constante que exige não apenas investimento em software, mas uma mudança contínua no comportamento das equipes.
O que se deve observar daqui para frente é como a Unidas equilibrará o investimento em inovação com a manutenção de sua eficiência operacional básica. Se a tecnologia for bem aplicada, a empresa pode definir um novo padrão de serviço no setor de mobilidade brasileiro. Caso contrário, a complexidade tecnológica pode se tornar um gargalo, dificultando a agilidade que a companhia busca alcançar com este novo ciclo de crescimento.
Com a infraestrutura técnica agora unificada, a Unidas entra em um período onde a execução da estratégia de dados determinará sua relevância no longo prazo. A capacidade de integrar a inteligência artificial de forma fluida no dia a dia da operação, sem comprometer a estabilidade do negócio, será o divisor de águas entre uma empresa que apenas utiliza tecnologia e uma que é movida por ela.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





