O Ministério da Habitação e Agenda Urbana da Espanha deu a largada para a escolha do projeto que representará o país na 20ª Exposição Internacional de Arquitetura, a Bienal de Veneza, em 2027. Foi aberto um concurso público para selecionar a proposta curatorial do pavilhão espanhol, com inscrições até 21 de setembro.

Mais do que uma simples seleção, o processo é um sinal de como o Estado espanhol enxerga a arquitetura como um ativo de diplomacia cultural. O vencedor não apenas receberá um prêmio de € 15 mil, mas também um contrato de curadoria que totaliza mais de € 100 mil para executar o projeto. A iniciativa, estruturada como uma licitação pública, busca profissionalizar e dar transparência à escolha que definirá a face da arquitetura espanhola no palco mundial.

Entre o Estado e a Vanguarda

A Bienal de Veneza funciona como uma espécie de olimpíada da arquitetura, onde cada pavilhão nacional é uma declaração de intenções. A decisão da Espanha de usar um concurso público, em colaboração com agências como a Acción Cultural Española (AC/E), reflete um modelo de gestão institucionalizado para a promoção de seu talento. É uma aposta na meritocracia para responder a um desafio intelectual complexo.

O desafio para 2027 já tem contornos claros. Os curadores gerais da mostra, os arquitetos chineses Wang Shu e Lu Wenyu, definiram um norte que valoriza a arquitetura em sua "dimensão mais concreta, física e essencial", em conexão direta com o território e os materiais. Qualquer proposta espanhola terá que dialogar com essa premissa, o que abre uma oportunidade para o país explorar suas próprias tradições construtivas e inovações em sustentabilidade.

A competição, portanto, não é apenas para desenhar uma exposição. É uma convocação para que os arquitetos espanhóis articulem uma tese sobre o presente e o futuro de sua disciplina, embalada para o mais importante debate global do setor. O resultado indicará que corrente de pensamento arquitetônico o país decide endossar como sua vanguarda oficial.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España