A Wittel, uma veterana com mais de 30 anos no mercado brasileiro de tecnologias para atendimento, está promovendo um reposicionamento estratégico. A companhia, historicamente conhecida por integrar e implementar plataformas de contact center, agora quer ser vista como uma parceira de negócios que entrega resultados, não apenas software.
Segundo reportagem do portal TIInside, o movimento reflete uma mudança fundamental na percepção de valor do setor. Em um mercado onde plataformas de Customer Experience (CX) se tornaram mais acessíveis e padronizadas, a simples instalação de uma ferramenta já não é um diferencial competitivo. A tese da Wittel é que o valor migrou da tecnologia em si para a inteligência aplicada sobre ela.
Muito além da integração
O argumento central da Wittel, apresentado por seu diretor comercial, Alexandre Gallardo, é que "o mercado hoje não compra mais só tecnologia". A afirmação, embora simples, encapsula a comoditização das soluções de software como serviço (SaaS). A tecnologia estabelece o potencial, mas a execução transforma esse potencial em resultado. Para materializar essa visão, a empresa consolidou sua experiência em uma metodologia proprietária batizada de SmartCX.
Essa metodologia organiza o serviço em três etapas: diagnóstico do negócio, desenho da solução e acompanhamento contínuo dos resultados. Na prática, é um esforço para "produtizar" a consultoria. Em vez de vender um projeto de implementação de software, a Wittel passa a vender um ciclo de otimização de performance, onde a tecnologia é um meio, e não o fim. É uma resposta direta à era em que o desafio não é mais ter a tecnologia, mas extrair valor dela.
O dilema do integrador
O movimento da Wittel ilustra um dilema vivido por muitos integradores de sistemas. À medida que as plataformas em nuvem se tornam mais fáceis de contratar e usar, o papel do intermediário técnico perde relevância. A estratégia de sobrevivência e crescimento passa por subir na cadeia de valor: deixar de ser um mero implementador para se tornar um conselheiro estratégico, capaz de conectar a arquitetura de sistemas aos indicadores de negócio do cliente.
A complexidade não desapareceu; ela apenas mudou de lugar. Sai a dificuldade de instalar servidores e entram os desafios de integrar múltiplas APIs, gerenciar jornadas de cliente cada vez mais fragmentadas e garantir que os dados gerados se transformem em inteligência acionável. A aposta da Wittel é que as empresas continuarão a pagar por um parceiro que navegue essa nova complexidade.
O sucesso da nova fase dependerá, portanto, da capacidade da Wittel de provar que sua camada de serviço e inteligência gera um retorno sobre o investimento superior ao que os clientes conseguiriam obter sozinhos. A venda deixa de ser sobre funcionalidades e passa a ser sobre a promessa de um resultado de negócio mensurável.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





