A XP Investimentos revisou suas projeções para a Vivara (VIVA3), reduzindo o preço-alvo da ação de R$ 38 para R$ 35. A decisão, comunicada em relatório após a análise dos resultados do primeiro trimestre de 2026, reflete um ajuste nos modelos financeiros da casa para o biênio 2026-2027.

Segundo o documento, as expectativas de lucro líquido para o período foram cortadas entre 6,5% e 12%, enquanto a projeção para o Ebitda ajustado aponta uma redução de 5% a 7%. Apesar do corte nos alvos, a XP mantém a Vivara entre os nomes mais baratos de sua cobertura, negociando entre 7,5x e 6x P/L.

Os três pilares de pressão

O diagnóstico da XP aponta três fatores centrais que exercem pressão sobre o desempenho da varejista de luxo. O primeiro é o ritmo mais lento das vendas em mesmas lojas (SSS) no segmento Life, uma variável que os analistas classificam como a principal preocupação estrutural para a companhia no curto prazo.

O segundo pilar envolve a gestão de custos. Com a necessidade de proteger a margem bruta, a empresa depende fortemente da precificação de suas joias, enquanto o impacto positivo do lançamento de novos produtos é esperado apenas a partir de 2027. A combinação desses fatores exige uma execução precisa da estratégia de preços para evitar a erosão da rentabilidade em um cenário de consumo ainda desafiador.

Gestão de capital e eficiência operacional

O terceiro ponto de atenção é a dinâmica do capital de giro. A Vivara tem buscado reduzir seus estoques, uma iniciativa que já apresenta sinais positivos. O balanço do primeiro trimestre indicou uma melhora relevante, com a redução do prazo médio de estoque de 601 dias para uma faixa entre 400 e 450 dias.

Essa otimização operacional é vista como um caminho para destravar valor. A expectativa da XP é que a nova administração consiga implementar melhorias graduais nos processos internos, transformando essa eficiência logística em um diferencial competitivo que sustente a geração de caixa nos próximos trimestres.

Riscos e resiliência do modelo

Apesar das incertezas, a XP destaca um ponto de proteção para a tese: a exposição à legislação trabalhista. A estrutura de remuneração da força de vendas da Vivara, baseada majoritariamente em comissões, coloca a empresa em uma posição aparentemente menos vulnerável a mudanças regulatórias no mercado de trabalho brasileiro.

Essa particularidade do modelo de negócio atua como um contrapeso aos riscos operacionais citados. Para investidores, o cenário sugere um monitoramento atento da capacidade da companhia em equilibrar a pressão por margens com a manutenção do volume de vendas em suas linhas principais.

Perspectivas para o investidor

O mercado observa agora se a redução do preço-alvo será acompanhada por uma estabilização nas métricas operacionais nos próximos trimestres. A capacidade da gestão em manter a disciplina na gestão de estoques e na política de preços será determinante para a reavaliação dos múltiplos da ação.

A movimentação das ações, que reagiram positivamente no pregão logo após a divulgação do relatório, indica que parte das preocupações já pode estar precificada. O desafio para a Vivara segue sendo a execução consistente da estratégia de eficiência operacional em um ambiente de alta concorrência.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times