A XP Investimentos revisou para cima as estimativas e preços-alvo para as principais petroleiras listadas na B3, sustentando uma visão otimista para o setor apesar da volatilidade global. Segundo relatório assinado pelo analista Regis Cardoso, a casa mantém a recomendação de compra para Petrobras, PRIO e Brava, enquanto adota uma postura neutra para a PetroRecôncavo.

O movimento ocorre em um momento de incerteza sobre a trajetória do petróleo tipo Brent. Enquanto parte do mercado aposta em uma queda acentuada dos preços com a normalização dos fluxos no Estreito de Ormuz, a XP projeta apenas uma acomodação parcial, mantendo o prêmio de risco geopolítico no curto e médio prazo.

A tese do prêmio de risco

A estratégia da XP baseia-se na premissa de que a normalização dos fluxos no Oriente Médio será insuficiente para derrubar os preços do barril aos patamares anteriores ao conflito. O analista Regis Cardoso elevou as projeções do Brent para US$ 86 em 2026, US$ 75 em 2027 e US$ 70 a partir de 2028, valores significativamente superiores à estimativa anterior de US$ 65.

Essa mudança de paradigma na precificação do petróleo altera diretamente o cálculo de valor das companhias. A leitura editorial é que o mercado tem subestimado a resiliência das tensões regionais, que continuam a atuar como um piso para as cotações globais de energia, beneficiando os balanços das empresas brasileiras produtoras.

Impacto nas avaliações das petroleiras

O reflexo dessa revisão é visível nos novos preços-alvo. Para a Petrobras, o target subiu de R$ 47 para R$ 63, representando um potencial de valorização de 54%. A PRIO teve seu preço-alvo ajustado de R$ 64 para R$ 78, enquanto a Brava passou de R$ 22 para R$ 25. A PetroRecôncavo, embora mantida como neutra, viu seu preço-alvo subir de R$ 12 para R$ 13.

Os indicadores de fluxo de caixa livre (FCFE yield) reforçam a tese de atratividade. A XP calcula um yield de 24% em 2026 para a PRIO e 13% para a Petrobras, números que evidenciam a capacidade de geração de caixa das empresas mesmo sob condições de mercado mais desafiadoras. A Brava, com yield projetado de 33% em 2027, permanece como um destaque, embora a XP mantenha cautela sobre a trajetória de produção da companhia.

Tensões e incertezas no radar

O cenário de risco, contudo, não foi ignorado. A XP reconhece que uma normalização completa dos fluxos poderia revelar um mercado sobreofertado, o que forçaria o Brent a convergir para patamares próximos a US$ 60 ou menos. Esse cenário, embora não seja o caso base da casa, serviria como um catalisador de baixa para as estimativas atuais.

Para os investidores, a grande questão permanece sobre o equilíbrio entre a oferta global e a demanda por energia em um ambiente de tarifas e tensões geopolíticas. A XP destaca que, para a PRIO e a Petrobras, o patamar de US$ 65-70 seria o ponto de atratividade ideal, garantindo fluxos de caixa confortáveis mesmo em cenários de preços mais moderados.

Perspectivas para o setor

A volatilidade deve continuar ditando o ritmo das negociações nos próximos trimestres. A capacidade das petroleiras brasileiras de manterem a eficiência operacional frente a oscilações externas será o fiel da balança para a concretização desses preços-alvo.

Observar como a Petrobras equilibrará sua estratégia de investimentos com a necessidade de manter o fluxo de caixa será fundamental para o mercado. O setor de energia, historicamente cíclico, encontra-se hoje em um ponto de inflexão onde a geopolítica pesa tanto quanto a geologia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney