A XP Investimentos iniciou a cobertura das ações do Agibank (AGBK) com recomendação de compra e um preço-alvo de US$ 13 por papel. A análise aponta que o banco combina um crescimento de resultados acima da média do setor com uma rentabilidade elevada, sustentando um valuation que a corretora considera atrativo para o momento atual do mercado.
Segundo relatório da instituição, a tese de investimento repousa sobre três pilares fundamentais: o modelo de negócio diferenciado, a perspectiva de forte expansão de resultados e um valuation descontado frente aos pares. O movimento ocorre em um cenário onde o banco busca consolidar sua posição como um player resiliente no crédito voltado a aposentados e servidores.
O pilar do modelo de negócio
A estratégia do Agibank se diferencia pela forte concentração no crédito consignado, um segmento conhecido pela baixa inadimplência e alta eficiência de capital. A XP ressalta que essa base oferece uma receita recorrente e segura, sendo complementada pelo consignado privado, que atua como uma alavanca para a expansão das margens financeiras da instituição nos próximos anos.
Além disso, a abordagem "phygital" é um diferencial competitivo citado pela corretora. Com mais de 1.100 Smart Hubs espalhados pelo país, o banco consegue capturar clientes que ainda demandam atendimento presencial, permitindo uma monetização superior àquela observada em bancos puramente digitais que operam sem qualquer infraestrutura física.
Projeções de crescimento e rentabilidade
No campo das expectativas financeiras, a XP projeta um crescimento anual composto de aproximadamente 18% para o lucro líquido entre 2025 e 2028. A receita líquida de juros (NII) deve seguir um ritmo similar, com expansão estimada em 21% ao ano no mesmo período, refletindo a capacidade da fintech de escalar sua carteira de crédito com controle de custos.
Embora o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) deva sofrer uma normalização, recuando dos atuais 40% para cerca de 25%, a corretora avalia que o patamar permanece robusto. Esse cenário é sustentado por uma gestão operacional disciplinada e pelo fato de que cerca de 90% da carteira de crédito da instituição é colateralizada, minimizando riscos sistêmicos.
Valuation e potenciais de mercado
O terceiro pilar da tese é o preço. O Agibank negocia a cerca de 5,3 vezes o P/L estimado para 2026 e a 1,0 vez o P/VP, múltiplos que a XP considera baixos frente à capacidade de entrega da companhia. Com o modelo de dividendos descontados, a corretora vislumbra um potencial de valorização próximo de 80% para o ativo.
A recomendação reflete a confiança na resiliência do modelo de negócio após recentes ajustes regulatórios. O mercado agora observa se a instituição conseguirá manter esse ritmo de expansão enquanto equilibra a transição de seus níveis de rentabilidade para patamares mais sustentáveis a longo prazo.
Desafios e perspectivas futuras
O que permanece em aberto é a velocidade com que o mercado irá precificar essa tese de crescimento, especialmente diante de um cenário macroeconômico global ainda volátil. A capacidade do banco em manter a qualidade da carteira enquanto amplia sua base de clientes será um indicador crucial para os próximos trimestres.
Investidores devem monitorar de perto como o Agibank navegará pelas mudanças regulatórias e pela concorrência crescente no setor de crédito consignado. A habilidade da gestão em manter o equilíbrio entre a expansão física e a digitalização ditará o sucesso da tese de valorização proposta pela XP.
O otimismo da XP coloca o Agibank sob um novo foco, mas o desempenho real dependerá da execução operacional nos próximos anos. Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





