A XP Investimentos promoveu um ajuste significativo em sua carteira de ações recomendadas para agosto, refletindo uma visão mais seletiva sobre a economia brasileira. A corretora removeu os papéis da B3 (B3SA3) e da Localiza (RENT3), enquanto elevou a exposição em Nubank (ROXO34), Gerdau (GGBR4), Embraer (EMBJ3) e Petrobras (PETR4). A mudança ocorre após a carteira render 2,2% em julho, aquém do avanço de 3,5% do Ibovespa.
A leitura dos movimentos é clara: uma troca de ativos sensíveis ao ciclo econômico doméstico por companhias com forte exposição a receitas dolarizadas e ao mercado global de commodities. A saída da B3, justificada pelo cenário de juros altos por mais tempo, é o sinal mais forte, indicando ceticismo com o motor do mercado de capitais no curto prazo.
Menos Faria Lima, mais Texas
A decisão de zerar a posição em B3 e reduzir a participação em Iguatemi (de 10% para 7,5%) evidencia uma aposta defensiva contra o mercado interno. A B3 é o termômetro do apetite por risco e volume de negócios no Brasil, e sua remoção sugere que a XP não espera uma retomada vigorosa no curto prazo. Da mesma forma, a redução em um nome forte do varejo de shoppings como Iguatemi sinaliza cautela com o consumo.
A saída tática da Localiza, mesmo com a visão construtiva sobre a empresa mantida, reforça a busca por diminuir a dependência do cenário doméstico. Em contrapartida, a corretora dobrou o peso de Gerdau (de 5% para 10%), citando o bom momento operacional na América do Norte, e de Embraer (de 5% para 10%), amparada por uma carteira de pedidos robusta e dolarizada.
A aposta dupla em tech e óleo
O aumento da exposição em Petrobras (de 5% para 10%) é um movimento direto para capturar a dinâmica do setor de óleo e gás, um jogo macroeconômico global. Já o aumento em Nubank (de 5% para 7,5%) representa uma tese micro, baseada na expectativa de recuperação nos resultados do segundo trimestre da fintech, que possui uma narrativa de crescimento descorrelacionada da economia tradicional brasileira.
Curiosamente, a XP também elevou a aposta na Sabesp (de 5% para 7,5%), esperando que a estatal de saneamento seja uma das beneficiadas pela retomada do fluxo de capital estrangeiro. Há uma tensão implícita na estratégia: ao mesmo tempo que se protege da economia local, aposta na volta do investidor gringo para ativos específicos.
O portfólio de agosto é, portanto, um retrato da complexidade do cenário atual. É uma carteira que busca segurança em exportadoras e commodities, enquanto faz apostas pontuais em teses de recuperação e privatização. O desempenho abaixo do índice no mês anterior adiciona uma camada de pressão para que a nova calibragem se prove acertada.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





