A XP Investimentos apresentou uma visão distinta do mercado ao reiterar recomendações de compra para as produtoras de celulose Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11). Embora a XP também aponte a Suzano como a principal aposta para capturar o atual momento positivo dos preços da commodity, ela se diferencia de outras casas de análise, como BTG Pactual e Bradesco BBI, ao manter uma perspectiva favorável para ambas as empresas no curto prazo. Para a Suzano, a XP estabeleceu um preço-alvo de R$ 60, indicando um potencial de valorização de 31,61%. Já para a Klabin, o alvo é de R$ 24, com um potencial de alta de 31,29%.
O Cenário Favorável para a Celulose
Segundo a XP, o setor de papel e celulose tem apresentado um desempenho inferior ao do mercado nos últimos 12 meses, impactado pela valorização do real e por fundamentos mais fracos da commodity. Contudo, o cenário recente se tornou mais promissor. Fatores como a menor disponibilidade de celulose no mercado spot, a redução dos estoques globais e a pressão de custos enfrentada pelos produtores chineses têm sustentado os preços. Os recentes anúncios de reajustes de preços para setembro e outubro, com a Suzano liderando um novo aumento em outubro, reforçam essa percepção de melhora. A XP destaca que a disponibilidade limitada no mercado spot, a entrada restrita de nova oferta no terceiro trimestre e a queda dos estoques devem continuar impulsionando os preços da celulose no início do quarto trimestre. A valorização de US$ 20 por tonelada nos preços dos cavacos importados do Vietnã pelos produtores chineses é um dos indicadores dessa pressão.
Divergências de Análise entre as Corretoras
A abordagem da XP contrasta com as recomendações recentes do BTG Pactual e do Bradesco BBI. Ambas as casas também veem a Suzano como a principal escolha no setor, mas demonstram maior cautela em relação à Klabin. O BTG Pactual classificou a atual recuperação da celulose como um “miniciclo”, impulsionado pela retomada das compras chinesas, estoques baixos e oferta restrita. O banco manteve a recomendação de compra para Suzano, com preço-alvo de R$ 72, mas atribuiu à Klabin uma recomendação neutra e um alvo de R$ 23. O Bradesco BBI seguiu linha semelhante, mantendo Suzano como sua principal escolha com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 59, mas rebaixou Klabin de compra para neutra, reduzindo seu preço-alvo de R$ 24 para R$ 21. A XP, portanto, compartilha a preferência pela Suzano, mas se diferencia ao manter uma visão positiva para KLBN11.
Suzano e Klabin como Proteção em Cenário de Incerteza
A XP Investimentos também enxerga Suzano e Klabin como alternativas defensivas em um ambiente de maior incerteza macroeconômica. O ciclo eleitoral brasileiro e o aumento das tensões geopolíticas podem gerar volatilidade, favorecendo empresas com menor beta e receitas em dólar. Nesse contexto, Suzano e Klabin surgem como potenciais hedges para os portfólios. A análise da XP detalha características distintas para cada tese: a Suzano é vista como a melhor opção para capturar diretamente a melhora nos preços da celulose no curto prazo. Já a Klabin oferece um perfil de risco menor, devido à sua menor exposição ao excesso de capacidade do mercado chinês de celulose e a um portfólio mais diversificado. Os valuations também sustentam a recomendação, com a XP calculando um FCF yield recorrente para 2027 de 8,1% para Suzano e 6,9% para Klabin, com potencial de melhora.
Perspectivas de Longo Prazo e Riscos Estruturais
Apesar do otimismo de curto prazo, a XP mantém cautela quanto ao ciclo estrutural da celulose no longo prazo. A corretora trabalha com uma premissa de US$ 560 por tonelada para a celulose de fibra curta (BHKP) a partir de 2028. Os principais riscos incluem a baixa rentabilidade dos produtores de papel, a entrada de aproximadamente 10 milhões de toneladas de nova capacidade integrada na China entre 2026 e 2028, e novos projetos de celulose de mercado, como o Oki II da APP e o Sucuriú da Arauco. Uma eventual queda nos preços dos cavacos de madeira na China também é um ponto de atenção, dada a intenção chinesa de reduzir a dependência de produtos semimanufaturados importados. Assim como BTG e BBI, a XP distingue a melhora conjuntural da commodity de seus desafios estruturais, mas difere nas recomendações ao manter uma visão atrativa para Klabin.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





