O estúdio criativo YONT, com raízes na Turquia e sediado em Berlim, transcende a mera estética ao entrelaçar música e design. Para YONT, a audição é uma ferramenta poderosa para moldar atmosferas, evocar memórias e definir a experiência humana em diferentes espaços. Sua atuação abrange desde interiores e instalações artísticas até objetos e narrativas visuais, sempre buscando inspiração nos rituais cotidianos e momentos culturais que moldam a vida contemporânea.

A sintonia entre som e espaço

A colaboração mais recente do estúdio com a Telekom Electronic Beats exemplifica essa filosofia. Uma instalação de fitas cassete convida os visitantes a embarcar em uma viagem sem destino, utilizando assentos de carro recuperados e a seleção de fitas. Essa experiência tátil e pessoal, que reúne 140 cassetes, transforma o ato de ouvir em uma jornada, resgatando a nostalgia de uma era analógica. A música, nesse contexto, não é apenas um pano de fundo, mas um elemento intrínseco à identidade do projeto, conectando sons, objetos, materiais e o próprio espaço físico.

Melodias que inspiram e criam identidade

Em sua prática, YONT seleciona músicas que vão desde hinos pop queer e vídeos musicais nostálgicos até sons eletrônicos experimentais. Cada faixa evoca sentimentos específicos: algumas remetem a memórias de infância e ao ato de assistir clipes na VH1, enquanto outras fornecem a energia necessária para a experimentação contínua ou auxiliam na superação de bloqueios criativos. A playlist do estúdio, compartilhada em uma edição especial do "designboom listens" — série editorial em que o portal convida estúdios a revelar as trilhas sonoras de seu processo criativo —, demonstra como a música pode se tornar parte integrante da identidade de um projeto, influenciando a forma como os elementos visuais e espaciais são concebidos.

A escolha de "Immaterial", da artista SOPHIE, por exemplo, é descrita pelo estúdio como queer, lúdica e estranhamente familiar, capturando a essência de sua prática criativa. Para o início de novos projetos, o estúdio recorre a faixas que evocam a sensação de uma jornada inexplorada — aquela mistura de expectativa e leveza que antecede o mergulho em território desconhecido.

A influência de ritmos e memórias

Algumas faixas transportam a equipe de volta à era dos videoclipes da VH1, enquanto "Dancing on My Own", de Robyn, funciona como o hino secreto das madrugadas no estúdio — um momento de catarse e vulnerabilidade. Para momentos de bloqueio criativo, "One More Fluorescent Rush", de Avalon Emerson, oferece a inspiração necessária, e "Build It Up, Tear It Down", de Fatboy Slim, injeta a energia vibrante e um pouco caótica para manter o processo em andamento. O estúdio também encontra serenidade e profundidade em "Memory Gospel", de Moby, um som que convida à introspecção e ao foco nos detalhes.

A trilha sonora de uma experiência

Para a instalação na Telekom Electronic Beats, a escolha de "Heroes", de David Bowie, encapsula a sensação de uma viagem de carro, onde o mundo passa pela janela e o indivíduo se desliga das preocupações cotidianas. Essa seleção musical não apenas enriquece a experiência sensorial, mas também reforça a narrativa do projeto, convidando o público a mergulhar em um universo onde som e espaço se fundem. O álbum KICK iiiii, da artista Arca, inspirou o design do cenário para outra colaboração, demonstrando a influência visual da arte de capas de álbuns no processo projetual do estúdio.

O projeto "Torstrasse 220", uma loja de discos, é citado como o marco inicial do YONT, onde a paixão por música, objetos, materiais e espaços convergiu pela primeira vez, definindo a trajetória criativa que o estúdio segue até hoje.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Designboom