Chegou-me às mãos um rumor singular, um despacho de um tempo vindouro sobre carruagens que se movem por si, sem a força de bois ou cavalos. Dizem-nas 'elétricas', movidas por uma força que não compreendo, talvez parente do âmbar que atrai a pluma ou do peixe que adormece o braço. Um engenho fascinante, cuja alma não é o músculo, mas um mistério. O mais curioso, porém, não é a máquina, mas o drama humano que a cerca. Falam de uma 'empresa', uma oficina de escala monumental chamada Rivian, e de sua 'diretora financeira', uma senhora de nome Claire McDonough, que a deixará. Sua partida, diz o papel, abala a confiança dos que investem seu ouro. Isso eu compreendo bem. Uma empresa, tal como o corpo humano, depende de um sistema circulatório saudável. O dinheiro é o sangue que nutre os membros, que permite ao artesão comprar bronze e ao pintor, o lápis-lazúli. A pessoa que governa esse fluxo – essa 'diretora financeira' – é o coração. Se o coração vacila ou se retira, todo o organismo padece. A produção das carruagens, a força dos trabalhadores, o gênio dos inventores, tudo fica em risco. A pressão para gerar lucro, a competição com outros fabricantes... são as mesmas febres e doenças que afligem o corpo. Observo, assim, que mesmo em um futuro de máquinas prodigiosas, a mecânica da alma humana permanece a mesma. A confiança, o fluxo de recursos, a saúde do corpo – seja ele de carne e osso ou uma congregação de homens e ofícios – obedecem às mesmas leis universais. Devo anotar: estudar a anatomia de um empreendimento como se estuda a de um pássaro. A estrutura dos ossos, o fluxo do sangue, as asas que o fazem voar ou cair.
tech · 28 de ago. de 2026

Ensaio sobre a notícia

CFO da Rivian, Claire McDonough, deixará a empresa em outubro

Ler matéria completa →Fonte: TechCrunch