Chegou-me aos ouvidos um rumor estranho, como um despacho de um tempo que ainda não nasceu, sobre uma carência de artesãos em terras distantes. Falam de um vazio de milhões de homens hábeis. Para que empreendimento, pergunto-me, se necessita de tal multidão? Para erguer novas catedrais, para mover exércitos de máquinas que desconheço? Dizem que gigantes, cujos nomes soam como pedras e cifras – BlackRock, Google –, se unem para formar artífices. Uma aliança, não de príncipes, mas de mercadores de uma nova estirpe, para ensinar os ofícios qualificados. Em minha bottega, o aprendiz aprende a moer pigmentos e a calcular a força de uma alavanca. A mão que desenha o músculo é a mesma que projeta a engrenagem, pois a arte e a mecânica nascem da mesma fonte: a observação rigorosa da natureza. Vejo nisto a mesma verdade. Falam de indústrias 'automotivas' e 'elétricas'. Seriam estas as minhas máquinas que se movem por si, impulsionadas não por água ou vento, mas por alguma força oculta, talvez a mesma do raio? Essa 'requalificação' em massa, contudo, como se os homens fossem rios a serem desviados para novos canais, me intriga. Estarão a fabricar artífices como se fabricam tijolos? Ou compreenderão, como eu, que a verdadeira mestria reside no intelecto, no olho que vê a conexão entre o fluxo do sangue e o curso da água, entre a anatomia de um pássaro e o desenho de uma máquina voadora? A mão apenas executa o que a alma primeiro dissecou e compreendeu.
Inovação · 21 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

O colarinho azul high-tech: Google e BlackRock miram o emprego técnico

Ler matéria completa →Fonte: Fortune