Chega-me às mãos um escrito deveras singular, vindo não sei de que parte do futuro, com vocábulos que me escapam. Falam de "marketers", novos áugures que perscrutam não as entranhas de aves, mas o fluxo de moedas no que chamam "varejo" – o grande mercado. E prognosticam o "otimismo", como se a esperança fosse matéria mensurável, uma maré cujo auge se pode prever para as festas de um certo ano de 2026. A ciência destes homens parece ser a do desejo. Eles medem o pulso da cidade, não para sangrá-la como um cirurgião-barbeiro, mas para antecipar sua febre de comprar. Comparo isto à hidráulica: o dinheiro é como a água, e as "pressões econômicas", os diques e escolhos que desviam seu curso. Estes "marketers" pretendem ser os engenheiros deste rio invisível. Mas como? Usam talvez instrumentos de perspectiva para projetar o futuro, tal como uso o compasso e a régua para ordenar o espaço sobre a tela? Sua "recalibragem de estratégias" soa como o pintor que altera uma sombra para avivar um sorriso, mudando a emoção de quem observa. A arte deles é a da persuasão em massa. O escrito menciona uma "mudança de sentimento", e é isto que me detém. A alma humana, o motor de toda ação, é o objeto de seu estudo. Se podem calcular a receita vindoura, podem porventura delinear a anatomia de uma paixão coletiva? É preciso investigar: qual o peso do otimismo? Qual a mecânica da cobiça? O movimento das almas, eis a ciência que contém todas as outras.
business · 22 de out. de 2026
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