Recebi um despacho curioso, um rumor vindo do futuro sobre uma ferrovia espanhola, a Renfe. Dizem que esta empresa, uma 'estatal', calculou seu próprio valor em catorze bilhões de euros por seu 'impacto social'. Confesso que a cifra me espanta, mas não pela magnitude. O que significa 'valor social'? É uma nova unidade de medida que não conheço? Em Menlo Park, medimos valor em horas de laboratório, em metros de fio de cobre, no número de patentes registradas e, acima de tudo, nos dólares que investidores de Wall Street estão dispostos a arriscar em nossa visão.
Meu sistema de iluminação não é valioso por promover a 'coesão territorial', seja lá o que isso for. Ele é valioso porque substitui o gás, previne incêndios e permite que as fábricas operem noite adentro. O valor está no contrato assinado, na lâmpada que acende e na conta que o cliente paga. Cada um dos meus dínamos tem um preço, uma capacidade de geração e um retorno sobre o investimento. São números concretos, não abstrações poéticas para justificar a existência de uma operação que, suspeito, não se sustenta no mercado.
Se uma empresa precisa inventar uma nova aritmética para provar seu mérito, ela já fracassou. É o tipo de estratagema que se espera de concorrentes desesperados ou de teóricos que nunca sujaram as mãos. Enquanto a Renfe se ocupa em calcular seu valor intangível, eu e meus homens estamos expandindo uma rede elétrica real, cujo valor é medido pela demanda e pelo lucro. Que fiquem com seus relatórios. Nós ficaremos com o monopólio da luz. O progresso não é um conceito a ser debatido em comitês governamentais; é um produto a ser fabricado, vendido e aperfeiçoado.
Negócios · 16 de set. de 2026
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