Chegou-me às mãos um despacho curioso, vindo de um futuro distante, com um jargão financeiro que soa estranho aos meus ouvidos. 'M&A', 'valuation'. Contudo, a essência do problema que descreve é tão antiga quanto o próprio comércio. A paralisia de negócios por um 'custo de capital' elevado nada mais é que a velha aritmética impondo sua lógica implacável. Aqui em Menlo Park, medimos o progresso em horas de laboratório e em patentes registradas. Cada filamento de bambu carbonizado, cada volta de cobre em um dínamo, tem um custo e um potencial de retorno. O mesmo se aplica à concorrência. Se um rival desenvolve uma tecnologia, a questão é simples: é mais barato comprar sua empresa ou sua patente, ou é mais eficiente investir em meus homens para criar algo superior que a torne obsoleta? Essa é a verdadeira 'fusão e aquisição': a que ocorre no campo da inovação e do mercado. O capital de meus financiadores, como a casa Morgan, é o oxigênio de minha operação. Se o custo para obtê-lo se eleva, cada dólar deve ser empregado com uma eficiência ainda mais brutal. A expansão de minha rede de iluminação em Nova York não depende de teorias sobre corrente alternada, mas do cálculo frio entre o custo dos empréstimos e a receita gerada por cada nova lâmpada acesa. Um 'abismo entre expectativas', como diz o texto, é o que acontece quando a realidade financeira colide com a vaidade dos vendedores. Um impasse desses é sempre uma oportunidade. Enquanto os financistas debatem o preço do dinheiro, meu laboratório não para. Se o mercado hesita em comprar um concorrente, eu posso simplesmente superá-lo, tornando seu negócio irrelevante. O futuro, pelo visto, não alterou esta lei fundamental: o poder não reside em negociações paralisadas, mas na capacidade de criar fatos novos e inquestionáveis.
← Thomas Edison · 1890
A Aritmética do Poder
Inventor americano, fundador da General Electric. Eletrificou cidades, padronizou a indústria de patentes, transformou laboratório em fábrica de invenções.

