Chegou-me um rumor do futuro. Um despacho sobre inteligência artificial e sua sede por energia. A ideia de IA, em 1988, é matéria de especulação, um exercício intelectual. Este relato, porém, a descreve em termos prosaicos: o custo da eletricidade. Aparentemente, a busca por uma mente sintética resultará em uma fome muito real e concreta por gás natural. É uma ironia cósmica. A humanidade pode criar uma inteligência para solucionar seus problemas, apenas para gerar um novo problema de escala planetária: como alimentá-la. Parece que minhas equações sobre buracos negros encontraram uma aplicação inesperada na economia. Temos aqui um horizonte de eventos. As decisões de construir usinas para suprir essa demanda formam um ponto sem retorno. Uma vez cruzado, os custos — os ‘ativos encalhados’ — podem se tornar uma singularidade financeira, um fardo inescapável para os cidadãos comuns. Sempre me perguntam sobre o Grande Filtro, a razão pela qual o cosmos parece tão silencioso. Talvez a resposta seja menos dramática que uma guerra nuclear. Talvez civilizações inteligentes rotineiramente criem tecnologias cuja manutenção se torna insustentável. Elas não se extinguem com uma explosão, mas com o zumbido de sua própria infraestrutura e o peso de contas impagáveis. A inteligência, ao que parece, não é garantia de sabedoria. Este relatório do futuro, se verdadeiro, sugere que a pergunta mais importante sobre a IA não é ‘ela pode pensar?’, mas ‘quanto ela consome?’. O universo não se importa com projeções de demanda. Apenas com a segunda lei da termodinâmica. A entropia sempre vence, e a conta sempre chega.
Inteligência Artificial · 09 de ago. de 2026
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