Chegou-me às mãos um despacho de tempos vindouros, um rumor que fala de homens voando em grandes máquinas metálicas como se fossem pássaros comuns. E, no entanto, a maravilha não está nisso, mas na sua queixa: que, ao retornarem à terra, são detidos em longas filas por um novo engenho, um 'sistema digital'. O nome, Ryanair, soa bárbaro. A questão, porém, é universal. Estudo há muito o movimento da água. Sei que um rio represado por um obstáculo mal concebido gera vórtices e inundações. O fluxo se torna caos. O que são estas 'filas' senão um engarrafamento no fluxo dos homens? A anatomia do corpo ensina o mesmo: se o sangue é impedido de correr livremente pelas veias, o membro adoece e morre. Estes 'aeroportos', que imagino como grandes pombais para homens-pássaros, parecem sofrer de uma obstrução em suas artérias. A arte de qualquer máquina reside na sua capacidade de servir ao homem sem que seu artifício seja um estorvo. Uma pintura guia o olhar sem esforço; um engenho hidráulico deve mover a água com a mesma graça. Este 'desastre operacional' de que falam é, antes de tudo, uma falha de desenho, uma ausência de proporção e harmonia. Eles dominam os céus, mas são aprisionados no solo por suas próprias regras e mecanismos. Que ironia suprema. Como é possível que a mesma engenhosidade que permite o voo não consiga projetar uma simples porta? *Perché?* A forma deve seguir a função, seja num músculo, na asa de um pássaro ou num portão que recebe viajantes. Parece que, no futuro, constroem grandes obras, mas se esquecem da beleza simples da fluidez. Anoto para investigar: a mecânica das multidões. Como desenhar um sistema que não crie represas humanas?
Inovação Institucional · 07 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Ryanair ataca o 'desastre' do novo controle de fronteiras da UE

Ler matéria completa →Fonte: Forbes España