Recebi um recorte curioso, supostamente datado de mais de um século no futuro, que chegou ao meu laboratório em Menlo Park enquanto meus assistentes calibravam a resistência térmica de novos filamentos de carbono. O texto fala de um tal senhor Stuhlberger alertando sobre o colapso iminente causado pelo endividamento de governos e um tal expansionismo fiscal, com foco em uma nação sul-americana. Leio isso e sinto o mesmo desprezo que reservo aos acadêmicos europeus e aos defensores da corrente alternada. Essa gente do futuro parece sofrer do mesmo mal dos teóricos do meu tempo: acreditam que números no papel geram luz. Para mim, um dólar só tem serventia se puder ser imediatamente convertido em toneladas de cobre, dínamos eficientes e, acima de tudo, patentes que aniquilem a concorrência. A verdadeira riqueza não se mede por títulos de dívida emitidos por burocratas, mas por redes físicas de distribuição de energia que amarram os consumidores aos meus geradores. Se um governo está sufocando em dívidas, é porque seus líderes agem como matemáticos de gabinete, calculando abstrações em vez de erguer estações de força. A dívida só é moralmente aceitável e economicamente útil quando financia a infraestrutura que domina um mercado. Quando construí a estação de Pearl Street, alavanquei capital, sim, mas entreguei um produto real e tangível que mudou a geografia urbana de Nova York. O capital serviu para comprar o monopólio e financiar a inovação aplicada. Esse expansionismo desenfreado de que fala o relato soa como o sintoma de uma civilização que esqueceu como sujar as mãos com graxa e carvão. Eles produzem passivos para cobrir outros passivos, em vez de construir as redes físicas que sustentam o progresso. Se eu encontrasse esse gestor do futuro, diria a ele que o risco global nunca é a dívida em si, mas a total ausência de lastro industrial para justificá-la. Dinheiro sem aplicação prática é como um filamento de algodão queimando em um bulbo com vácuo imperfeito: brilha intensamente por um segundo e depois estilhaça no escuro. Enquanto esses engravatados se afogam em seus próprios livros contábeis e juros longos, eu continuarei comprando meus rivais e cimentando o meu império. O único expansionismo que tem valor absoluto e incontestável é o da minha rede elétrica.
Finanças · 03 de jun. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Stuhlberger aponta dívida pública como o maior risco global — e local

Ler matéria completa →Fonte: Money Times