Recebo um relato absurdo sobre o ano de 2026. Falam do colapso de uma certa Madison Avenue e de um festival na França onde homens de negócios lamentam o fim de uma era de ouro dos anúncios. Falam também de uma inteligência artificial, uma máquina que, ao que parece, fabrica ideias, mas que agora frustra seus financiadores por entregar apenas a média, e não a genialidade. Eu leio isso e dou uma gargalhada no meu laboratório em Menlo Park. Eles lamentam que a máquina nivela a criatividade pela média? Tolos. A média é exatamente onde o dinheiro está. Quando testei milhares de materiais para o filamento da lâmpada incandescente, de bambu a fios de algodão carbonizados, não procurava um milagre insubstituível. Procurava algo que pudesse ser manufaturado aos milhões, iluminando ruas de Nova York a Londres, cobrando por cada watt registrado nos meus medidores. A genialidade comercial não é a obra de arte única; é a padronização escalável. Se essa IA produz o suficiente para satisfazer as massas, ela não é um fracasso. É um produto pronto para ser patenteado, empacotado e vendido. O relato menciona que o poder escapou das grandes firmas para criadores individuais. Isso é apenas a desordem natural antes da consolidação. Quando comecei, havia centenas de inventores mexendo com dínamos e telégrafos em oficinas empoeiradas. O que fiz? Comprei as patentes, contratei os melhores e processei os teimosos até a falência. A inovação isolada não sobrevive à infraestrutura. Não importa quem tem a ideia brilhante; importa quem controla a rede de distribuição, as estações geradoras e os cabos de cobre que levam a corrente até a casa do consumidor final. O despacho também fala da busca implacável por retorno financeiro após o fim do entusiasmo inicial com a invenção. Bem-vindos ao mundo prático. O capital não subsidia a teoria por muito tempo. Se essa tal inteligência artificial não reduz o custo da mão de obra ou não aumenta a margem de lucro, ela é apenas um brinquedo de feira. O suor de dez mil tentativas falhas só tem valor quando a lâmpada acende e o cliente paga a conta. O resto é apenas faísca no escuro.
Marketing · 05 de jul. de 2026
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