Um papel singular, vindo não sei de onde, fala de coisas futuras que a mente custa a ordenar. Diz de uma 'União Europeia', uma congregação de reinos que se submetem a uma 'Comissão' e a um 'Tribunal'. Seria como se os rios de França, Espanha e dos estados itálicos desaguassem não no mar, mas num só lago artificial, cuja vazão é controlada por um único mestre de águas. Que engenharia de poder seria esta, capaz de impor 'sanções' a um rei?
O despacho menciona trabalhadores 'interinos' em Espanha, cujos contratos são frágeis e temporários. Ora, o corpo de um Estado é como o corpo de um homem, que tenho dissecado tantas vezes. Os trabalhadores são a musculatura que move a ossatura do poder. Se os ligamentos que unem músculo e osso – os contratos – são débeis, o movimento é falho, a força se esvai. A saúde de um principado reside na harmonia de suas partes, tal como a beleza de uma pintura depende da justa proporção entre luz e sombra. Uma injustiça com os que labutam é uma pincelada escura que turva toda a composição.
Questiono-me sobre a natureza desta máquina de governar. Uma máquina voadora, para alçar-se, depende da integridade de cada peça; a falha de um único componente causa a ruína de todo o engenho. Assim deve ser com esta 'União'. As suas 'regras trabalhistas' seriam as cordas e as alavancas que asseguram o equilíbrio. Mas quem é o piloto? E qual a natureza deste motor que move as nações como se fossem engrenagens? É preciso observar e compreender o movimento das águas para domá-las. É preciso conhecer cada nervo para compreender a alma. Preciso desenhar este mecanismo para entender a sua força motriz. Onde estão os seus pesos e contrapesos? Como se transmite o poder através de tal sistema?
Geopolítica · 23 de set. de 2026
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