Chegou a mim um despacho curioso, vindo de um futuro que não me parece plausível, falando de fortunas de um bilhão de reais e de um tal Celso Ribeiro que as negocia. Números dessa magnitude sempre merecem atenção, pois o capital é o combustível da invenção. O que me intriga, contudo, é a aposta deste homem: uma tal 'inteligência artificial'. Em Menlo Park, meu método é a transpiração. Testamos milhares de filamentos, não por teoria, mas por exaustão. Construímos dínamos que pesam toneladas e geram força real, palpável. O que seria essa inteligência sem um corpo, sem engrenagens ou fios de cobre? Um fantasma telegráfico? Meus autômatos executam tarefas, mas não 'pensam'. Se essa 'IA' não puder ser traduzida em um produto, patenteada e vendida em escala, é apenas um exercício para acadêmicos, que desprezo. Contudo, a estratégia desse investidor revela sagacidade. Ele aposta nessa força desconhecida, mas também em 'marcas de consumo' que ela supostamente não pode replicar. Isso eu compreendo perfeitamente. Não vendo apenas uma lâmpada; vendo um sistema elétrico completo, sob o nome Edison. A confiança na marca, na rede que se estende da usina à residência, é um ativo tão valioso quanto o próprio filamento de bambu carbonizado. Enquanto outros se perdem em especulações sobre máquinas que pensam, eu continuo focado em iluminar o mundo. O valor de uma ideia não está em sua complexidade teórica, mas em sua utilidade prática e no lucro que gera. Se essa 'IA' um dia provar seu valor em dólares e watts, então a comprarei ou a superarei. Até lá, é apenas fumaça.
Negócios · 01 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Do exit de R$ 1 bi ao próximo cheque: a tese dupla de Celso Ribeiro

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