Celso Ribeiro, que orquestrou uma das maiores saídas do mercado publicitário brasileiro com a venda da BR Media para a Publicis, está de volta ao jogo, mas agora do outro lado da mesa. O empreendedor acaba de lançar a Paros Ventures, uma firma de venture capital que usará seu capital próprio para investir em startups. A transação da BR Media, segundo estimativas de mercado, girou em torno de R$ 1 bilhão.
A nova empreitada de Ribeiro se baseia numa tese dupla e aparentemente contraditória. De um lado, apostar em empresas nativas de inteligência artificial com potencial para transformar indústrias inteiras. Do outro, investir em companhias da economia real onde marca, cultura e comunidade são os principais ativos — exatamente o que a tecnologia não consegue comoditizar, segundo sua visão.
A estratégia do barbell
A Paros Ventures nasce com uma estrutura que lembra uma estratégia de "barbell" (haltere, em inglês): um portfólio concentrado em dois extremos opostos. A aposta é que as teses são "descorrelacionadas", como definiu Ribeiro em entrevista ao Brazil Journal. Enquanto a IA representa a insurgência e a disrupção de alto risco, as marcas de consumo representam a resiliência em uma era de escassez de atenção.
O plano é emitir cheques de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões, tipicamente em rodadas Série A. Mais do que capital, Ribeiro pretende oferecer sua experiência como operador. A ideia é assumir um papel de advisor próximo ao CEO e participar de comitês operacionais, uma abordagem hands-on que busca diferenciá-lo de investidores puramente financeiros e que, segundo a reportagem, pode render-lhe o dobro de participação acionária.
Em busca dos 'hungry dogs'
O portfólio inicial já reflete essa dualidade. Na vertical de IA, estão a Uncover (mensuração de mídia) e a FlyMedia (influenciadores digitais). No consumo, aportes na americana LiquidDeath e na brasileira Dane-se, que seguem a mesma cartilha de branding forte, além do marketplace de sneakers Droper e da marca de vestuário Baw. Para Ribeiro, o fator decisivo é o perfil do fundador, que ele resume na expressão "hungry dog" — empreendedores com uma fome incansável de crescer.
É uma busca por um perfil que ele mesmo admite não ter mais após o exit bilionário, o que o motivou a investir em vez de fundar uma nova empresa. A Paros não busca ativamente por negócios, preferindo co-investir com fundos de confiança, o que otimiza o fluxo de negócios e a validação das teses, alavancando redes já estabelecidas no ecossistema.
A movimentação de Ribeiro é mais um sinal de maturidade do ecossistema brasileiro, com capital de fundadores bem-sucedidos sendo reciclado em novas gerações de startups. Resta observar como esse modelo de investidor-operador, focado em teses específicas e no perfil do empreendedor, se posicionará no cenário de venture capital do país.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech





