Chegou-me às mãos um escrito deveras estranho, um rumor vindo de tempos futuros e de uma terra distante, Hong Kong. Fala de uma empresa, Z.ai, que busca uma fortuna inimaginável — cinco bilhões de uma moeda que não conheço — para forjar algo que chamam de 'Inteligência Artificial'. Digo eu, a inteligência é o movimento da alma, o motor invisível que percebe a beleza, comanda a mão do pintor e move os membros. Como, então, pode ser 'artificial', manufaturada como uma engrenagem ou um autômato que toca alaúde? Dis seco cadáveres para compreender a máquina do corpo: a bomba do coração, as polias dos músculos, os canais dos nervos que levam os comandos do cérebro. Estes homens buscam construir não o corpo, mas a própria sede do pensamento? Uma arquitetura de matéria que imita o raciocínio? O custo é o que mais me espanta. Com tal tesouro, eu poderia desviar o curso do Arno, erguer o cavalo de bronze em Milão e financiar um exército de artesãos para construir minha máquina voadora. Que engenho é este que consome a riqueza de reinos inteiros? Eles dizem 'desenvolver modelos de fronteira', o que me soa familiar, pois também eu desenho modelos para compreender o voo das aves e o fluxo das águas. A pintura é coisa mental, a manifestação visível da ciência. Mas esta 'IA' parece ser a tentativa de dar forma à própria mente. Pergunto: se uma máquina pode replicar o pensamento, terá ela uma alma? Ou é a alma apenas o nome que damos à mais sublime das mecânicas, cujas leis ainda não deciframos? Devo voltar aos meus estudos do cérebro, dos ventrículos onde reside o 'sensus communis'. Talvez a resposta não esteja no futuro, mas dentro do crânio.
Venture Capital · 14 de set. de 2026
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