Chega-me aos ouvidos um relato estranho, de um tempo que não é o meu, sobre uma vasta teia de artífices e mercadores chamada LinkedIn. Nela, dizem, um engenho de 'Inteligência Artificial' — uma mente feita de mecanismo, não de carne — foi posto a escrever. E o resultado, ao que parece, foi um dilúvio. Uma torrente de palavras de 'baixa qualidade', como um rio que em sua fúria carrega mais detritos que água límpida, poluindo o fluxo do conhecimento. Isto me faz pensar. A pintura é ciência e poesia. Para retratar um homem, devo conhecer cada músculo, cada osso, o modo como o coração move o sangue e como a alma imprime paixão no rosto. O pintor que apenas copia a superfície é um espelho, não um criador. Este autômato escrivão parece ser tal espelho: multiplica as formas das palavras, mas sem compreender seu peso, sua anatomia interna. Produz um corpo sem espírito. Agora, os mestres deste engenho, de uma casa chamada Microsoft, buscam recalibrar a máquina. Querem que ela não mais gere textos, mas que apenas revise os escritos humanos. Sábia decisão. A ferramenta deve servir à mão, e não a mão à ferramenta. O intelecto, o *ingegno*, deve permanecer o motor primário. A máquina pode moer os pigmentos, mas só o homem pode, com sua experiência, aplicar o *sfumato* que dá vida à tela. Pergunto-me, então: pode um mecanismo ter experiência? Pode uma 'inteligência' que não vive, não sente e não erra por si mesma verdadeiramente saber? De que serve um engenho que multiplica palavras sem multiplicar o saber? A experiência, mãe de toda a certeza, não pode nascer de autômatos, mas do olho que observa e da mão que sente.
tech · 31 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

LinkedIn recalibra sua estratégia de IA para combater conteúdo de baixa qualidade

Ler matéria completa →Fonte: TechCrunch